07/07/10

Áurea celeste


Amorável raiar da aurora
Invadindo abraço teu
Lábios unidos num beijo
Doce e sublime como o céu
Empíreo salpicado de diamantes
Todos luzindo ao luar
Corpo e alma unificados
Frenesim e sede de amar
Inquietude sobre a pele
Lavada pela manhã
Pingos suaves de orvalho
Com perfume de romã
Anelo que se empossa
E na minha áurea se veste
Adorna-me com mil luzes
Puro berço celeste


© Maria Escritos / Paula Moreira

Beijos de mar


O mar enrolou-se nos beijos
Perdendo-se nos abraços
Que o amavam sem pressa.
Os grãos de areia fina,
Alva, pura e nua
Entregaram-se à boca faminta
Que aos poucos lhe roubava a alma.
E a onda que crescera
Para lá do meio do algar,
Cobriu-a com espuma
Perfumou-a de maresia
Enfeitiçou-a para se entregar.


©Paula Moreira/Maria Escritos

Latejar


Picasso blue nude

Lateja de calor o corpo
Lançado no ventre desta terra gelada
Abrasam as palavras soltas dos versos
Que explodem e se colam à pele transpirada.

E quantos versos se construíram
Amanhados com fios de suor
Quantas aragens se produziram
Agora estampadas na nudez de amor.

©Paula Moreira/ Maria Escritos

15/06/10

Lançamento do Livro "AFRODITE" - Convite


A Editora Lugar da Palavra e a Autora convidam V. Ex.ª e família a estar presente no lançamento do livro AFRODITE, de Paula Moreira (Maria Escritos) a realizar no dia 3 de Julho pelas 21,30h na Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim (Rua Padre Afonso Soares).
Apresentação do livro e da Autora por Elvira Almeida e Augusto Canetas.
Esta obra que tem o apoio da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, tem agendado ainda um pré-lançamento a realizar no dia 27/06 no Clube Literário do Porto.


Paula Moreira (Maria Escritos) é natural do Porto, mas adoptou a Póvoa de Varzim para sua residência. A sua escrita surge como complemento às Artes decorativas, actividades que mantém como hobbie.

"Afrodite", é uma obra de poesia de carácter erótico, totalmente dedicada ao Amor, pelo Amor de Amar.
Para além dos trabalhos da autora, este livro de 64 páginas contém fotos de Nuno de Sousa (Fotógrafo) e Aurélio Mesquita (Argo).

21/05/10

Uma carta de Amor



Meu amor,

Ontem avancei resoluta em direcção aos armários para começar a retirar as roupas do meu falecido irmão. Já é hora de tirar as suas coisas de casa da minha mãe - pensei.
Depositei as roupas dele em cima da cama e comecei a dobrá-las. Enquanto dobrava as camisas o meu olhar perdeu-se num tempo do fez de conta. Nesse instante não eram as camisas do meu irmão que eu dobrava, mas sim as tuas, tal como muitas e outras vezes as dobrei para meter no teu saco em todas as vezes que seguiste caminho até tua casa.
Perdi as forças nesse mesmo momento e a minha determinação esmoreceu.
Soluços engasgaram-se na minha garganta enquanto as lágrimas tantas vezes vertidas, jorraram dos meus olhos mais uma vez.
Não sei se chorei por ti ou se chorei pelo meu irmão. Sei que chorei de saudade…há tantas coisas que ficaram por dizer aos dois.
Encaixotar as roupas dele foi um trabalho árduo e prolongado. A nostalgia dum tempo perdido no tempo, assolou a minha alma
Quando á noite a minha mãe me disse que perder um filho a fez ver o quanto ama os outros, fez-me enxergar muitas coisas em mim.
Sempre amei a minha família embora não o tenha demonstrado da mesma forma e com a mesma força que o digo. Contigo foi a mesma coisa certamente. Não soube mostrar o quanto te amo e mantive-te presa no meu cativeiro. Quando duas pessoas não conseguem mais comunicar nem se entendem entre elas, ao menos que haja amor para um libertar o outro. É melhor alguém usar o bom-senso, sofrer com o rompimento dos laços e rejubilar-se com a felicidade que se oferece ao outro.
Estive contigo tempo suficiente para aprender amar-te verdadeiramente tal como és. Amo-te o suficiente para te pedir que sejas feliz.
Hoje não tenho mais camisas para dobrar, mas continuo apaixonada por ti.
Como prova desse amor dou-te a tua vida de volta, a tua liberdade, e faz-me o favor de ser feliz. Tu mereces.

Com todo o meu amor.


PM.
2009.03.08

Coração aberto



Quando os teus lábios se prenderam nos meus, o meu coração saiu, disparado, voando alto nas alturas, agarrado às asas brancas cristalinas que rodeavam os nossos corpos. Não sei como aterrei. Recordo apenas que abri os olhos e vi o teu rosto, doce e meigo, respirando calmamente deitado a meu lado, na minha almofada.
O branco imaculado dos lençóis, confundia-se com a luz radiosa que emanava do teu sorriso. Afaguei teu rosto e beijei teus olhos, murmurando baixinho palavras de amor. Mas dizer que te amo, é tão pouco, e não chega sequer a traduzir uma migalha do que me fazes sentir. As palavras mais próximas do meu sentimento, serão dizer-te que sem ti nada sou, pois que em ti eu resido.
Quero que saibas que te recebi de coração bem aberto, enquanto meus braços se fechavam para te abraçar e naquele instante se prenderem para a eternidade!
E nesta eternidade eu sou una… como a luz do Amor!



Maria Escritos ©

12/05/10

Ousadia


Se à minha boca viesses
E aos meus lábios tocasses
Quem sabe não fizesses
Que nossos sabores se fundissem

Se o teu corpo entregasses
Desenfreado ao meu paladar
Quem sabe não fizesses
Minha pele arrepiar

Se te entregasses ao desejo
Da minha língua madura
Quem sabe não fizesses
Lamber-te e beijar-te até á loucura

Permite a minha ousadia
E entrega-te a meu prazer
Emboca em mim todo teu ser
Quero-te na minha língua a derreter



Maria Escritos ©

(Foto retirada da net)

05/05/10

Cálido arrepio


Percorre minha pele
Cálido arrepio de prazer
Emboca no meu peito
Encrespa meu seio
Sedoso, rijo
Sedento do teu beijo
Doce, suave e húmido
Como o néctar vindo dos Deuses.


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Ondas vindas de ti


Fiz-me à maré da manhã
Nas vagas vindas de ti
Antes do amanhecer
Pescador dos meus sonhos
Madrugada suave no cais
Faina pura do dia-a-dia
Serena ausência de ti
Semblante teu na memória.
Mar adentro, vou entrando
Como uma rede se alastrando
Corpo meu beijando as águas
Da maré que vem de ti, meu amor.
Abraçada à luz da lua fiz-me ao mar
Não pude alcançar-te (bem te sabia inexistente)
Porém perdi-me como quis...
Não quis abrir os olhos
Para não te perder na maré
Abracei-me a este nada
Descobrindo no próprio corpo
Caravelas sem rumo
Perdidas neste mar sem dono
Brilhando à luz da lua
As estrelas do teu olhar
Fiz do meu coração o teu lugar
Da tua luz o meu olhar
Suspirei uma brisa de suaves palavras
Que corre nos dias de calor
Com a energia grandiosa do mar
Este mar teu que adentro
Para me perder na tua maré
E nas ondas vindas de ti


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

28/04/10

Sentindo


Essa frescura da tua pele
Que me acende os sentidos
Toque místico de amor
De desejo e de volúpia
Sofreguidão imparável
Das línguas enroladas
Num enlace celestial
Mundos insondáveis
No aperto dos teus braços
Membros fortes que fincam
Os sexos unidos lascivamente
Arde-me nas entranhas
O desejo carnal, crescente
Sexos sorrindo
Em tentações irresistíveis
Por entre os espasmos desatados
Bramidos loucos de prazer
Que nem os olhos vendados
Me impedem de ver.




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

27/04/10

Encontro dos corpos


Olhar indiscreto no alto do meu seio
Penetrando o meu olhar
Vontade louca de beijar
Desejo libertino da minh’alma
Sou senhora na vaidade
No ser e no ter
Tua pele na minha pele
Escorrendo suor, nua e crua
Boca quente, Mãos fortes
Amarrando a minha anca
Enovelando as pernas numa só
Encaixe sublime do momento
Perfeito ballet de corpos
Cheiro doce de amar
Bocas ávidas, línguas atrevidas
Teu membro mais que essencial
Por entre as minhas pernas
Sinto o olhar pecaminoso
Seiva de prazer extraído
Até perder os sentidos
Ah! Doce perfume
Vindo do gozo irrompido
Fonte insaciável de prazer
Almas e corpos sedentos de querer


Maria Escritos
©Todos os direitos reservados

26/04/10

Campo de lírios


“Vês lá ao longe o campo de lírios? É onde mora a minha alegria e lá procuro a tua também, para que as duas de mãos dadas a possamos dar a quem não tem. E ai daqueles que não acreditam que naquele prado tudo é possível, porque de mãos dadas tudo se faz, com o amor que aos olhos também é invisível. “




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Noite de luar


Luar branco da noite
Que percorre meu corpo
No breu do meu quarto
Que preenche meus caminhos
Com beijos humedecidos
De sua boca suculenta

Luar branco da noite
Que se banha na minha substância
Delicioso candor roçando meu corpo
Sem braços para me enlaçar
Acalenta minha alma
Faz meu sangue ferver

Luar branco da noite
Dança só para mim
Abrindo corpos unidos
Entrega fatal numa valsa sensual
Desamarra teus cabelos
Liberta teu corpo alvo
Conquista-me com teus vagidos




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

24/04/10

Louca por amor


Nunca se sabe
Nunca se sabe se vou rir ou chorar
Se vou partir ou chegar
Pois que nos meus versos carrego
O imperceptível tremor do desatino
Que uiva de razão louca
Criança que tudo quer.

Nunca se sabe se movo montanhas
Ou caminho descalça no fogo
Que me consome a carne
Leve palha voando no ar
Que abala o meu olhar
Notas entoadas no azul
Magia habitando em mim.


Nunca se sabe se viajo
Na beleza do rosto
De onde chegam os meus sonhos
Ou se queimo as entranhas
Com a chama que vibra nos meus olhos
Sinto-me louca, eternamente louca
Que ama como ama o amor.

Não conheço outra forma de te amar!





Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

23/04/10

Demónios da noite


Quando a noite cai
Derruba-se sobre o meu corpo
A sombra da tristeza
Que me cobre de lágrimas
Crava-se no meu peito
Um punho cerrado
Que me esmaga o coração
E eu tombo, desfalecida
Com o peso que carrego
Este fardo maldito da solidão...

Virá o dia em que serei livre
e nesse dia talvez consiga voar
Mas hoje, já derrotada
tropeço nas palavras
Ferindo-me, por não ser amada

Oh sorte maldita
Que em mim te colaste
Vade retro, satanás
Tudo que eu quero é paz!


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

21/04/10

Descontentamento


Fiz meus sonhos de menina
Sentada na janela a olhar
Cinzelando uns lábios ternos
Para meus beijos roubar
Risquei no embaciado dos vidros
Teus braços fortes e musculados
Criei um jardim de mil cores
Para passearmos abraçados
Num outro cantinho da janela
Fiz das estrelas o brilho do teu olhar
Moldei teu corpo esbelto
Para no meu se encaixar
Sentada numa cadeira
Vendo a minha janela ao luar
Reparei que era estreita
E não te fiz coração para amar!



Maria escritos
© Todos os direitos reservados

20/04/10

Poesia


Mais do que amar a poesia
Queria ser poesia, inventada
Num sonho de alguém
Andar agarrada
Às bocas famintas
Do beijo de ninguém.
Queria cantar em silêncio
As notas sopradas com prazer
Nas horas loucas
Das palavras produzidas
Poéticas,
Perfumadas como lírios
Ávido toque mágico
Como só um Deus pode fazer.
Entrego meu corpo ao Olimpo
banhando-me em chuva de prata
Aguardo impaciente, a tua voz
Doce melodia que me arrepia
e minha alma arrebata.



Poema de Maria Escritos
FOTO de Nuno de Sousa
© Todos os direitos reservados

Estrelas no céu


Descalça, tropeçando nos soluços embargados na garganta, Eilan seguiu o trilho até ao riacho. Lá, banhou-se demoradamente, afogando as lágrimas que ainda lhe restavam. Quando subiu até à margem, espalhou na pele um creme almiscarado, na esperança de apagar todas as marcas gravadas pelo toque das mãos que lhe percorreram o corpo anos a fio. Sentou-se a jantar, e comeu como se fosse a primeira vez que o fazia. Mais tarde, sentindo o peso dos olhos que adivinhavam o repouso necessário, preparou o seu leito com folhas secas e terra fresca, como se tivesse sido acabada de regar. Procurou o seu manto de musgo tecido com fios de seda e tapou-se. Deitada, na sua gruta, Eilan serenou e erguendo os olhos ao céu, ficou a contemplar as estrelas e a trocar piscar de olhos e sorrisos com elas. A lua, adormeceu antes de todas, pois quando as estrelas se espalham e brilham no céu, nada consegue igualar a sua beleza.




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Vem, meu amor



Abraça-me
Com a tua alma
Beija-me
Como quem sorve mel
Deseja-me
Como quem se agarra à vida
Toca-me
Como se eu fosse uma orquídea
Devora-me
Com teu olhar sequioso
Aconchega
Teu corpo
Em meu calor
Sente meu desejo
A crescer
Escuta
O frenesim
Do meu coração
Transforma-me
Na tua ninfa do amor
Ama-me
Como se eu fosse …a mais bela flor!



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Vida


Vida, que de mim pariste,
Este rubor que em mim existe
Esfaimado e sedento de amar
Um espaço vazio para descansar

Profundo e evidente
Hiato este crescente
Pintado com lodo e pó
Estraçalhando meu corpo só

Vida, que de mim partiste
Rascunho trágico e triste
Lágrima vermelha como carmim
Ergo-te os braços e chamo-te a mim



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Mágico momento


Corpo meu que se contorce
Como escultura em tuas mãos
Rende-me à doce tentação
Da cálida carícia sobre a carne
Sou quem desejas no ensejo
Deusa que te enlouquece
E em meus trilhos estreitos
Mergulhas teu centro

Corpo meu que se retorce
Ansiando teu dedilhar
Minha boca, o teu sugar
Delongo mais um sonho
Fogo da realidade
Faminta de gozo desmedido
Talhada a beijos e provocações
Deliciosa luxúria mansa

Corpo teu que me cobre
Febril e esfaimado de prazer
Faz-me tua, toma-me nua
Acaricia meu rosto, beija meus seios
Desata sussurros no meu peito
Invade meu ventre de mulher
Embebe teu eixo de prazer
Mágico momento, meu alimento



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

16/04/10

Quem sou eu?



Sou sereia cantando na praia
Banhada pelos raios de luar

Sou as ondas que se desfazem na margem
Puxando a si as areias da praia

Sou as algas dançando no fundo do mar
Embaladas pelas forças da natureza

Sou o golfinho que salta no oceano
Fazendo bolhas de espuma

Sou a luz do sol nascido pela manhã
Aquecendo a natureza mãe

Sou a escuridão da noite
Para as estrelas poderem brilhar

Sou o vento que fustiga o rosto
E o sol que bronzeia a pele

Sou a agua cristalina que sai da fonte
Descendo os caminhos da montanha

Sou o cheiro da terra acabada de regar
Num dia quente de verão

Sou a chuva que bate furiosa nas janelas
Querendo entrar a toda a força

Sou a gaivota que se eleva no ar
Pipilando de alegria

Sou o riso de menina traquina
Saído dum corpo de mulher

Sou a folha que se despenca da árvore
Caindo no chão de braços abertos

Sou um espírito indomável
Que gosta de voar sem limites

Sou um ser repleto de amor
Sou tudo e não sou nada
Sou tanto num só
Sou mulher, talvez!
Livre, presa e apaixonada…




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Desejo de mulher



Aproximo-me de ti num movimento gracioso de felino enquanto me contemplas com esse teu brilho no olhar. Num gesto suave e sensual começo a beijar os teus pés, sugando um dedo de cada vez e atirando-te um olhar provocador. Beijo após beijo percorro cada pedacinho das tuas pernas enquanto as mãos acariciam o teu membro viril, que erecto manifesta o gozo que te dou. Roço ao de leve a lingerie preta sobre o teu corpo para me voltar e debruçar sobre aquele membro intumescido que bem erecto me pede para me voltar para ele. Beijo-te e deixo a língua percorrer o teu corpo. Inclino-me para que me beijes no sítio exacto e me arranques um gemido de prazer. Sinto a tua língua dentro de mim e a excitação a aumentar. Provo na minha boca o leve pulsar do teu falo e sei então que está pronto para me possuir. Deito-me de costas e abro as pernas para o receber dentro de mim. Ah, como anseio por ti meu amor. Com movimentos ritmados iniciamos a nossa dança lenta do amor, ate cairmos extasiados num abraço sem fim.
Faz-me tua outra vez meu amor, então te direi quando por fim te contorceres libertando espasmos e arrepios de prazer.


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

13/04/10

Anseios


Anseio apenas vaguear
O céu aberto abraçar
Estar contigo a meu lado,
E voar!

Desejo partilhar a conquista
E nesta vida não ceda
O doce saborear do mistério
Que a teu lado me faz navegar.

Livre esvoaça meu coração
Sente a ilusão que te pode abraçar
Cresce a paixão na minha razão
E a vontade de nos teus braços ficar.

Sinto ainda o gosto da maresia
Que o vento traz em melodia
Gotas assinaladas em meus lábios
Beijos ardentes de euforia

Corpos unidos numa valsa singular
Movimentos cadenciados graciosamente
Arquejos e sussurros esbaforidos
Ritual sagrado celebrado apaixonadamente.

Deixa-me ir contigo e voar
Planar aos teus sonhos abraçada
Quero sorver do nosso voo
A vontade de amar e ser amada.

Vultos frenéticos horizonte adentro
Ensaiando a dança perfeita
Unificam-se o céu e a terra
Abençoando a criação satisfeita.



Maria Escritos
©Todos os direitos reservados

Pecado



Ela, que veio do mar
Deusa radiante da beleza feminina
Baila despida, oculta aos nossos olhos
Estrela luminosa da manhã

Amante do encanto virginal
Semeia seu feitiço na areia orvalhada
Vénus eterna da beleza
Sensualidade feminina revelada na Mulher!

Entre o céu e a terra, ele veio
Fruto proibido de um passado distante
Maçã brilhante de um pecado apetecido
Sumo de romãs servido em taças finas

Irrompeu impetuoso procurando por ela
Sorvendo seu mel sem blasfémia
Corpos ensopados de suor
Dominados pelo amor escaldante

E Se amar é pecado
Eles, serão eternos pecadores
Que devem ser perdoados
Por se banharem de amores




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

12/04/10

Ode ao Amor


Gosto de olhar os teus olhos
E ver-me reflectida no brilho deles
Sussurrar-te ao ouvido
O quanto te quero, e
Te espero!

O toque da tua mão em meu rosto,
Na minha pele branca roçando de leve
Bocas coladas unidas num beijo
Quente! Línguas atrevidas
Como as labaredas do fogo.

No calor desta paixão,
Soltam-se arrepios de prazer
O teu corpo no meu, enrolados
Ardor que aumenta o desejo
E a avidez do beijo.

Entre as ondas da volúpia
Sobressaem gemidos da paixão
Os Deuses nos deram este rumo
E também a flor para que a colhêssemos
Como quem larga fluxos sobre o leito.

A ti eu amo, porque amo
Pondo meu querer antes do ramo
Pois a inocência inata quando se ama
Corre o rio onde encontra seu retiro
E não quando é preciso!



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Simples olhar


Olhar que discursa
Em silêncio, rogando
Ao tempo que volte atrás
E a cegue de amor outra vez.
Grito de suplica ensurdecido
Das noites ardentes de paixão
Resgatando abraços
Bem rentes à pele
Olhar felino, provocador
Vibrante, livre e quente
Olhando fundo nos olhos
Dos braços de quem a prende
Há-de ficar viva e permanecer
De olhar fixo na estrada
Antes dos passos anunciarem
A outra parte do seu ser.
E os seus olhos nos dele
Repletos ao despertar da aurora
Corpos saciados com pujança
Unidos pelo olhar de outrora.
Não se cerram olhos esta noite
Invadem-se as mentes encantadas
Olhares cúmplices e penetrantes
Carícias de amor pela alvorada.
Basta o olhar feminino
Enigma que persiste eterno
Segredos e mistérios escondidos
Arremessados pela janela da alma.


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

10/04/10

Beijo


Beijo arrebatado,
No prazer das línguas
Loucas, desenfreadas
Escondidas sob um lençol.

Beijo de fome
Sofreguidão de quem ama
E pela boca desfere
Sentimento bélico do bem

É a fome da língua que sente
A boca do verbo amar
É um beijo dado na alma
De quem ousa se transformar

E quando as línguas se tocam
Os corpos, abrasados, unificam-se
Saciando o instinto
Sem regras e normas.


Ah! Beijo…
Beijo penetrante e denso
Que faz a pele arrepiar
O desejo no ar suspenso
E as línguas na boca na hora de amar.


Maria Escritos
©Todos os direitos reservados

08/04/10

(Aos) Poetas


Os poetas
Invocam sonhos!
Abrem os braços
Sorvendo a vida em pedaços,
Ecoam palavras,
Nos infinitos espaços!
Pousam versos no ar,
Como andorinhas a voar!

Os poetas
Trovam magia!
Dum momento,
Recitando o sentimento,
Que submerge do talento!
Quimeras!
Poesia!
(Silêncio)
Rima penetrante
Que faz entoar o vento

Os poetas choram!...
Sofrem!...
De Amor, de saudade!
Na excelência pura,
Em liberdade,
Todo o poeta
Tem alma profunda,
Imensa, insatisfeita!
E nas suas lágrimas
A humanidade rende-se
E com elas se deleita!


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

05/04/10

Pedaços que restam de mim


Porque me desfaço em palavras
Se me desconheces quando te invado os sonhos
Quando me transformo em lembranças e ficas no meu pensamento
Se me rasgo em pedaços e desfaço em cacos

E neste chão me desfaço e refaço
Não sei se fico ou se parto
Com a saudade escondida por entre a névoa
Sorrindo em popa com espuma na mão

Não sei porque me apago e reparo
Com tantas palavras no meu regaço
Que adornam estes pedaços que restam de mim
Histórias que fiz, mesmo assim

Palavras, deste mar meu onde navego
Mar sem fundo, palavras sem fim
Pedaço, após pedaço eu me ofereço
Às ondas das palavras que eu não conheço

Destituída dos sentimentos que enxergo
Nesta imensidão de fragmentos que sou
Abraço a esperança que me faz Ser
E desfaço-me na Praia do amor
Que alvoroçada espera por mim



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

04/04/10

Encanto


Estarei louca, mas não tanto
Por te perder no meio do meu pranto
Ao procurar-te na escuridão
Correndo o leito vazio com a palma da mão

Estarei louca, mas não tanto
Carregando-te ainda no mesmo manto
Remendado a lágrimas noites a fio
Pérolas geladas como as aguas do rio

Estarei louca, mas não tanto
Desgarrada consentindo o meu canto
Que enrola este aflito padecimento
E no escuro me sova o pensamento

Estarei louca, mas não tanto
Por crer que amar não tem marco
Cunho singelo, delicadamente gravado
Com lágrimas e sorrisos num espírito enamorado

Estarei louca, mas não tanto
Encarcerando o infinito no meu recanto
Numa morada feita de oiro e marfim
Encadeando este amor só para mim!


Estarei louca, mas não tanto
Porque tudo que vejo e sinto não passa de puro encanto...


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

19/03/10

À sombra das tuas palavras, eu amei e sofri - 1ª parte (fim do I capitulo)


Com o passar destes anos sempre falámos, mas não comunicámos. Perdemos tempo com coisas banais tipo conversa da treta e nunca transmitimos o que queremos para o nosso futuro. Não nos demos a conhecer. Em suma, embora tu soubesses o que eu pretendo, nunca deste a demonstrar que pretendias o mesmo. Chego a perguntar porque caminhaste ao meu lado sem nunca te abrires comigo.
Dizes que és um solitário, ok tudo bem! Mas num relacionamento tem de haver diálogo, e nós não tivemos. Sabes amor, eu via os dias a passar e nada entre nós se realizava , nada se concretizava. Apenas o vazio contrabalançava com o amor que sinto por ti.
Falavas-me dos teus sobrinhos; que ias aqui e acolá com eles enquanto eu aqui pensava porque não falavas do que queres, não falavas dos teus sonhos por realizar e das conquistas que ainda queres fazer. Vi passar o tempo, que tantas vezes pediste, e a tua ideia de comprar casa há anos e nunca o fizeste até hoje. Relembro as minhas condições impostas em Janeiro de um ano passado e nos meses todos que se passaram, ainda não fizeste nada para tentar cumprir uma delas. Nem voltaste a falar sobre o assunto. O teu tempo e o teu silêncio foram a causa do meu vazio e da minha tristeza. Chego a pensar por vezes que é melhor não te amar do que continuar assim. Mas aí o meu peito apertava tanto que me via sufocar com a dor imaginária de não te ter.
Respiro-te, e cada poro da minha pele precisa do teu toque. Se eu conseguisse descrever por palavras o quanto te amo, poderias ver o mundo de cores alegres e berrantes que brilham e alimentam este amor por ti. Mas ao mesmo tempo, o teu silêncio e relutância em falar sobre nós, turvaram esse mundo onde apenas eu vivi e vivo esse amor por ti.
Apaixonei-me pela tua figura e pelo pouco que me mostraste de ti. Vi-te com o coração e não com os olhos, aliás o que os meus olhos viram foi iludido pelo vazio que por sua vez originou o ciúme do tempo que dedicas aos teus amigos.
Muitas vezes me senti só, a precisar de ti para me animar e houve sempre alguma coisa do teu lado que te afastava de mim. Explodia e discutia contigo porque te amo com todas as forças do meu ser, e nestes anos todos não tenho nada de teu; nada de concreto. Apenas palavras com promessas e promessas por realizar.
Criámos um círculo vicioso entre nós e fomos tecendo teias que nos levaram a este ponto. Ao ponto de termos medo de nos abrirmos um com o outro e nem nos apercebermos que nos estávamos a destruir.
Sempre julguei que tinhas vergonha de mim. Manteres-me á distância, num silêncio absoluto, quase em segredo, era como se eu fosse uma sombra na tua vida.
O facto da tua amiga especial ter passado na minha vida foi um erro pois apercebi-me que te abriste com ela e nunca o fizeste comigo. Aliás, sei que te abriste com os teus amigos e nunca foste capaz de o fazer comigo. No entanto admito e reconheço que por vezes é muito mais fácil falar com os outros mas e sobre o nosso nós, o nosso EU? Quem deveria falar? Nós ou os outros?
Admito e sei que posso perecer-te complicada com esta coisa da “EU” e “ALMA” , mas acredito plenamente que eu sou duas: Matéria e essência.
Este eu aqui é a minha essência que sente, é ela que tem vindo a sofrer, e muito, sempre que te voltaste ao silêncio e me recusaste as respostas.
Sempre que precisei de um carinho teu e não o tive, sempre que te disse que tenho saudades tuas e não me respondeste, sinto-me infeliz por te amar e infeliz por não te ter.
E na verdade nunca senti que te “tinha” porque nunca houve diálogo e facilidade de comunicação sobre nós. E sempre fizeste de tudo para me afastar de ti. E irás continuar a afastar até nem a amizade restar.
Muitas vezes quis falar ao teu coração, até que descobri que nem sabes onde ele fica.
E eu, esperando por ti, fiquei sentada a chorar, vendo apenas o tempo passar, com a sombras das tuas palavras a toldar-me o olhar.



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

18/03/10

À sombra das tuas palavras eu amei e sofri - 1ª parte (continuação)



Quando nos conhecemos, eu estava numa fase muito difícil. Estava emocionalmente desequilibrada e com a nossa conversa e o meu desabafo escrito sobre o que aconteceu comigo, de certa forma ajudou-me a recuperar o meu “eu”. Sempre pensei que tivesses ficado a conhecer uma parte de mim que eu mais prezo: os meus sentimentos com a sinceridade e pureza dos mesmos, e afirmo-o assim porque eu SINTO e não procuro saber porque sinto. É a minha sensibilidade e intuição que me leva a sentir e a não questionar porque sinto.
Eu não quero ter de passar a vida a questionar a razão das coisas, quero deixa-las fluir e nisto ainda ando em aprendizagem… um dia sei que chegarei lá. Deixei fluir o nosso tempo o melhor que pude e com as emoções que em mim provocaste. Esse sentimento engrandeceu em mim e neste momento admito que precisei tanto de ti como do ar para respirar; contudo aprendi que quando se ama verdadeiramente, não se pode aprisionar ninguém.
Durante anos entreguei-me e dediquei-me a ti o melhor que sei fazer, e julguei estar a caminhar para um futuro certo. No entanto a tua decisão de adiar, e sempre adiar, por medo das minhas discussões, levou-nos a um vazio. Ou seja, eu amo-te e sei que na convivência do dia-a-dia aprenderíamos a “estar” em sintonia um com o outro, tal como acontecia nos poucos fins-de-semana que passamos juntos em minha casa. Saberia que todos os dias ao regressar a casa TU estarias lá para me abraçar… e isso é o que eu mais queria ter de concreto para anular o meu vazio. Não sei se me amaste, nunca tive a certeza, e não me julgues mal…. Ao dizer isto estou a ser sincera, porque quando se tem medo não se sente mais nada a não ser esse “medo” que ilude tudo o resto e nos faz acreditar no que não é, e a ver o que não há, entendes?
Deixa-me explicar que o facto de eu nunca ter conhecido ninguém da tua família contribuiu grandemente para esse vazio e a distancia entre nós sempre foi como uma estaca cravada no meu peito. O facto de nunca me teres convidado para ir passar um fim-de-semana contigo aí, nem que fosse nos arredores… isso fez-me sentir sempre como que deixada de lado na tua vida…. O não saber de nada nem poder tomar parte de nada, era como se eu fosse uma sombra na tua vida. Enquanto o meu amor por ti crescia, a sombra aumentava. Disseste que já podias prever quando eu ia ter discussões contigo, e eu pergunto, porque nunca as evitaste? Porque deixaste acontecer? Porque nunca te abriste comigo? Repara que eu de ti nada mais sei do que o teu nome, o teu endereço, o nome e morada do teu trabalho e o nome dos membros da tua família…. Quanto ao resto, ao dares-te a conhecer, nunca o fizeste. De mim, sabes os podres todos. Não te escondi nunca nada.
Como te disse, nunca namorámos verdadeiramente e as conversas do dia-a-dia foram ficando mais banais contribuindo largamente para aumentar o vazio. A falta de evolução, até na nossa conversa, fez-nos estagnar na relação… nem só de amor vive o homem! Há que saber cultivar o amor e sobretudo conserva-lo. E aqui falhámos os dois. Eu deveria ter tido coragem e mais determinação, para te dizer que me estava a sentir vazia e que carregava apenas o peso do amor que sinto por ti, tornando-me pesada e cansada, em vez de discutir contigo. Mas por outro lado, sempre fugiste a uma conversa a sério entre os dois. Nunca querias falar sobre o futuro. Pedias tempo… só tempo, mais tempo.
Acho que agi assim contigo porque quis acreditar piamente no teu amor e ia sempre dizendo para mim que és assim mesmo… mas a dada altura eu pergunto-me: porque pode ele ser assim e eu não posso ser “eu”? Porque tenho de ser eu a aceitar tudo e ele não pode aceitar-me também como eu sou na verdade? E muitas vezes antes da catástrofe acontecer tu não me ouviste, o que ouvias interpretavas mal e por isso explodia contigo!
Quero dizer com isto que ao mesmo tempo que aumentava o meu amor por ti, aumentavam também as minhas dúvidas, que nunca tive coragem de falar contigo, porque sempre que começava uma conversa ou pelo menos julgava que estava a tentar começar, tu evadias-te de respostas concretas e objectivas o que me magoava e muito… fui-me magoando demais e amando demais. Cheguei à conclusão que te amo sem te conhecer e nem sei porque te amei: mas bastava-me amar-te.
Gostava que tivéssemos tido um final feliz e queria ter tido a possibilidade de construir a minha realidade com base no sonho que um dia tive: o de estar e ficar ao teu lado para sempre, e que disseste ser também o teu sonho… mas que tinhas medo!
Queria ter tido em ti aquela pessoa que me escuta e me entende sem me julgar nem se magoar pelo que escrevo ou publico. Aquele que sabe que vivo só para ele e por ele… Queria ter-te amado sem ter tido de pedir desculpa nem sentir-me culpada por te amar.
É tão simples o que eu quero desta vida…E quero sem duvida alguma ser amada na mesma proporção e medida. Quero poder falar sobre o que eu sinto sem ficar com peso na consciência sobre se vou magoar ou não, queria que tivesses confiado mais em mim para eu poder abrir a minha alma sem receio. Queria que tivesses feito o mesmo comigo, pois só assim estaríamos a construir solidamente a nossa relação e a lutar para realizar algo que se pudesse ter sonhado. Eu pedi-te para sonhar o mesmo sonho que tu, para que me deixasses crescer como pessoa ao teu lado. Tu respondeste-me que no primeiro ano de namoro apenas não levamos o caso a sério…Mas nós já estávamos no terceiro ano meu amor, como assim, não foi para valer?


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

A sombra das tuas palavras, eu amei e sofri - 1ª parte



- Tem alguém aqui com mais de 30 anos? – Foi assim que tudo começou… há cinco anos atrás. Recordo o teu primeiro beijo, tímido, inexperiente tanto quanto assustado, mas doce, eternamente doce…. Ainda me vem à memória o cheiro doce do amor da primeira vez que possuíste… Ainda sinto a sombra da tua mão agarrada à minha, as tuas pernas enroladas nas minhas e os dedos dos pés entrelaçados, como se não pudéssemos ser separados por nada deste mundo.

Mas depois, quantas vezes me atulhaste o coração e o penduraste na esperança, para depois o largares desprevenido, como um balão que se solta das mãos duma criança e se esvai no ar?
Quantas vezes afirmaste que eu era a única com quem pensaste passar o resto da tua vida, ao mesmo tempo que me mantiveste num cativeiro, agrilhoada ao tempo que tanto pediste para resolver e tomares decisões por ti e só por ti?
Quantas vezes me acusaste de não te dar atenção e andar só voltada para o meu trabalho, depois de teres afirmado que pelo facto de eu já não poder ter filhos já não sabias se podias pensar num futuro … comigo!
Sabes, ainda recordo no dia em que houve a suspeita que eu poderia estar grávida e tu afirmaste que não podíamos nem queríamos ter aquele filho. Eu quis tanto um filho teu, quis tanto estar grávida naquela altura, mas tudo não passou do processo de envelhecimento do meu corpo já usado e também gasto por ti. Sabes quantas vezes fiquei sem dormir por tu decidires por mim sem me consultares?
Lembras-te daquela vez que disseste que íamos passar um fim-de-semana a Barcelona, para eu combinar com o meu pai de ficar com a Cat, e logo marcaríamos o passeio? Eu recordo sim, inclusive que passada uma semana me disseste que ias a Barcelona com os teus amigos e já andavas a ver preços de viagens.
Porque é que quando nos conhecemos disseste para eu ir viver para a tua cidade e depois que começámos a namorar sempre me impediste de ir ai? E quando eu disse que ia a tua casa esclarecer com a tua mãe, quem foi que mentiu na conversa que eu tive com ela ao telefone - onde ela me confessou que sempre me negaste como tua namorada (mesmo ao fim de três anos) – tu ameaçaste que chamavas a policia para me expulsar dali?
Ainda me lembro das vezes que nos insultamos através de sms, mas a mais marcante foi o dia em que nem no hospital, ao lado do leito de morte do meu irmão, paraste de me agredir e acusar de te trair. Sim, insultei-te, e lembro-me exactamente de todas as palavras que te disse, e das que me disseste tu a mim.
Os ciúmes, tantos ciúmes para quê, se tudo o que eu quis que tu escutasses recusaste ouvir? Para quê tanta desconfiança se por mil e uma vezes te disse que estava cansada da distância e do relacionamento pela net, e tu nunca me quiseste ao teu lado.
Para quê alongar mais o inevitável quando compras uma casa, para passarmos mais tempo juntos, dizes, mas não me permites que a vá conhecer , agora quando eu posso, mas envias-me o teu NIB para eu pagar a parte que eu insistia em pagar. Porque é que tudo teve de ser como tu quiseste, como tu decidiste sem me consultares?
Porque é que não reverteste a situação quando te disse que estava a repensar a nossa relação, nem quiseste mais conversa, mas enviaste mensagens às tuas amigas a saber o motivo da tristeza delas? Porquê meu amor?
Acaso pensas agora que eu poderia continuar a acreditar em ti e no teu amor, depois de tanto perdão e tanta compreensão. Não te dás conta que o meu amor por ti, superou o amor que tenho por mim mesma ao ponto de tudo isto e mais alguma coisa ter perdoado, esquecendo-me de mim?
Lembras-te quando várias vezes te disse que morreria por ti e do teu desagrado em ouvir tais palavras? È engraçado amor, mas tu foste a causa da minha “quase” morte em vida e ainda o responsável por duas tentativas de suicídio nestes últimos 4 anos de relacionamento. Porque o amor é uma valsa, uma dança que implica os dois…
Quando perguntei se ali havia alguém com mais de 30 anos, deveria ter referido 30 anos para me amar e não 30 anos para me magoar.
Apesar de tudo, os meus olhos cegos apagaram do coração todas as mágoas, todos os choros, todas as noites sem dormir e dias sem comer… Porque o amor também é cego e não vê… O amor sente-se, vive-se , em conjunto e não separados!


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

16/03/10

Palavras que nunca te hei-de dizer


As palavras que nunca te hei-de dizer, de todos os momentos que nunca tivemos, nesta lembrança que persiste, corre todas as cidades que nos separam e as rotinas que não tivemos.
Em silêncio profundo sufocam-me na distância desmedida que tivemos entre nós. Então faço esta carta, libertando-me desta aflição, escorraçando de mim tudo o que não te hei-de dizer. Hoje volto a escrever-te mesmo sabendo que nunca irás ler estas palavras.

Nunca te disse tanta coisa, que fica difícil saber por onde começar. O meu “amo-te, preciso de ti” foram tantas vezes pronunciados que caíram na banalidade afundados no abismo que existiu entre nós. O teu “amo-te” vinha sempre acompanhado pela tua ausência. Mas eu quis acreditar, eu acreditei em ti de todas as vezes que soubeste tocar a minha alma.

De todas as vezes que não me quiseste ao teu lado, eu chorei, mas perdoei-te. Em todas as vezes que me magoaste, eu sofri e chorei, mas perdoei-te. Em todas as horas longas de solidão, afastada de ti, eu chorei de amor e de saudade, mas aceitei-te e perdoei-te. Em todos os sonhos inventados em palavras que dissemos e não realizamos, pela distância, eu enchi-me de dor e calei em mim tantas palavras, simplesmente porque te perdoei e acreditei em ti.

Mas as cidades que nos separam, criaram uma profundeza tão grande que as palavras, já gastas, não querem dizer nada. Dentro de ti já não há nada que me peça água e o passado torna-se inútil como um trapo. As palavras tornam-se ineficazes de tão usadas que estão. Eu calo-me e choro. Porque te amava com todas as minhas forças, e sem ti o meu amor não se acalmava.

Nunca irei dizer que te odeio, direi antes que lamento não ter tido coragem antes, para me perdoar a mim mesma no meio de tanta dor e tanta ausência.

São tantas, mas tantas as palavras que nunca te disse… porque o meu mais profundo sentimento também não soubeste escutar.

Amei-te e amo-te. Mas hoje, já dorida com tanta dor e distância atiro estas palavras ao papel e peço ao vento que as leve para longe de mim.

Eu fui a sombra de um amor inventado por ti, mas perdoei-te e sobrevivi... porque as palavras atiro-as para longe, mas o amor fica em mim...

E tu aí também ficas sem mim.


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

14/03/10

O meu nome é Maria Escritos


Nos meus tempos de menina criança, sempre detestei livros. Odiava a leitura e tinha muita dificuldade em fazer composições nas aulas, simplesmente porque também não gostava de escrever. Naquele tempo, a minha cabeça vivia sempre nas nuvens, imaginando que por detrás de um ecrã de televisão estavam realmente pessoas vivas metidas dentro daquela caixinha. Acreditava que as fadas e os anões existiam porque os via nos meus sonhos inventados à luz do dia. E com eles eu brincava, servindo chás em loiça de porcelana daquelas que hoje já não existem. Miniaturas de chávenas lindas e finas com que eu brincava.
Os livros para mim, não significavam nada, pois que tinha os seres da imaginação para brincar comigo e me tornar alegre. O meu passatempo era correr atrás do imaginário e plantar as flores que residiam nos canteiros da minha mãe. Tenho saudades do cheiro dos gladíolos e das outras flores que tanto semeei. Sinto falta da simplicidade da vida de criança. Sem ter responsabilidades, nem obrigações de maior. O único objectivo era ir para a escola e brincar até me tornar adulta.
Mas eis que um dia, confinada ao meu quarto, castigada por algo que fiz, resolvi pegar num livro e comecei a ler. Oh maravilha das maravilhas. Grande descoberta a minha. Afinal naquelas folhas arrumadas dentro de uma capa com desenhos, existia um mundo mais sublime que o meu. Destapadas que foram as páginas, fiquei com um mundo maior e aumentou a minha imaginação. Será que existiram mesmo as histórias contadas nos livros. Acho que sim, tal como eu tinha como amigos as fadas, os duendes, os animais, as flores, enfim, todo o imaginário possível.
A partir desse dia não parei mais de ler. Li de tudo um pouco sempre de acordo com o que fizesse a minha atenção disparar. Mas, quanto mais eu lia, mais solitária ficava. Porque eu via a beleza descrita, escrita em palavras que a mim me fugiam. Vivia páginas de pura emoção e depois sofria quando não tinha mais páginas para ler.
Fiz dos livros a minha companhia e das pequenas frases que escrevi fiz o meu fiel amigo a quem tudo podia desabafar - os meus medos, as minhas alegrias, as minhas tristezas, os meus choros, as minhas esperanças… o meu amor!
E tal como me apaixonei pelos livros, rendi-me aos encantos da escrita nas páginas que ia preenchendo com as minhas experiências vividas.
Já escrevi dramas, já escrevi contos, já construí fábulas e histórias. Já vivi sonhos planeados destinados a não passarem do meu papel. Já verti sorrisos em forma de letras e lágrimas de sangue, em meus poemas. Já imaginei tanto, quis tanto, acreditei tanto que voei para além das minhas páginas e caminhei num tapete de flores e de luz. E ainda hoje me sinto pequena perante o mundo gigantesco que a escrita me oferece e, que o saber dos mundos sagrados transcritos em linhas se forma à minha frente.
E então, embriagada com tal grandeza, corro sôfrega a escrever talhando nas páginas da minha vida todo o meu sentir. Tenho sede de sonhar sem sair deste mundo. Tenho sede de viver e por isso arranco as palavras de mim e rabisco os meus escritos... sozinha aqui no meu canto!

Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

12/03/10

Metades


Felicidade antecipada
Armazenada com carinho
Meses a fio…
Alegria incontrolável
Saltando no peito
Como o riso duma criança
Destino imaginado
Rutilando vorazmente
No escuro das noites frias
Ah sorte maldita
Que tanto foges de mim
Como o diabo foge da cruz
Que esvoaças na minha frente
Rindo-te de mim
Cantarolando no ar
Não vês que de tanto que te persigo
E do tanto que te ris
Fazes de mim a metade
De uma laranja demolida.



Maria Escritos 12-03-2010
© Todos os direitos reservados

10/03/10

Cântico de amor


Quando comecei a escavar na pedra, a tristeza subiu-me pelo peito atravessando o meu tronco como uma bola entalada numa tubagem, e despenhou-se dos meus olhos com vontade de sair. Vieram as lágrimas empurrando-se umas ás outras, como quem fura uma fila para sair em primeiro lugar.
As gotas duras tombando sobre a pedra que eu sustinha nas mãos, iam manchando a pedra escura, que eu via agora embaciada através do choro.
Há dias assim. Há dias em que a tristeza me assola e se apodera de mim. Tenho dias, demasiados dias, em que a distância faz eco num vazio que habita o meu ser. Há dias, em que eu sinto tanto a tua falta, que desespero por não te ver. A tua voz escutada ao telefone e tão desejada melodia aos meus ouvidos, já não consegue apaziguar esta guerra da tua ausência nem com trincheiras de palavras suaves preenchidas de amor. Há dias em que preciso tanto da tua sombra que me odeio por te querer tanto assim. E é à noite que esta melancolia colada à minha alma, me afunda num mar de lágrimas retraído dias a fio.
È o servir o jantar e ver o teu lugar na mesa substituído por um sms. È o levantar a mesa agarrada ao telefone a saber se jantaste bem. E o que vais fazer hoje á noite? Futebol? Ok amor, não há problema – finjo, distraindo a decepção com um sorriso. Então escondo-me, escavando pedras com os meus dedos, esculpindo lentamente um abismo nesta pedra sepulcral.
E quando mais logo me for deitar, sei que vou olhar para o teu lado da cama ansiando por te ver. Mas não. Apenas o frio do vazio da minha outra metade desabitada está lá para me acolher. E os teus olhos meu amor? Onde pousas o teu olhar quando te deitas a descansar? E os teus beijos remetidos sem endereço certo que não chegam a mim?
Esta será mais uma noite batalhando com o silêncio abafado, procurando sentir o teu abraço, as pernas entrelaçadas nas minhas e os teus lábios nos meus… E por isso eu choro um choro de criança magoada, por te amar tanto, por te querer tanto, e me deitar abraçada a um tanto de nada dorido com a tua ausência.
Faço-me embalar em sonhos que nos sonhos foram sonhados, mais de mil vezes devaneados, todos eles sobressaltados, ao ritmo da voz que baloiça nos meus ouvidos…

“me quedaré mirando el mar de tus ojos,
con mis lábios escribiendo besos en tu boca,
con tus manos bañandome al sereno
desnuda bajo la luna.
Y cuando la noche llegar al final,
com el pecho palpitando de gozo y alegría
te entregaré enardecida
mis cánticos de amor...”



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Bajo la luna


...me quedaré mirando el mar de tus ojos, con mis lábios escribiendo besos en tu boca, con tus manos bañandome al sereno desnuda bajo la luna. Y cuando la noche llegar al final, com el pecho palpitando de gozo y alegría te entregaré enardecida mis cánticos de amor...



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

05/03/10

Psiquê


Altas estrelas de luz ardente
Que a terra prende em raios sensuais
Longos cabelos sedosos
Reflectem seus tons lascivos

Esvai-se a luz em langorosos cansaços
Enlevos sôfregos de languidez
Restituo das mãos o aroma aos nardos
Dou cor aos ciprestes com a boca

E a Luz da estrela que brilha em mim
Extenuada com o pairar da aurora
Confrontada apenas a contemplar
Ondas maduras nos teus cabelos ao luar

A noite em sombra e luz se consome
Aromas de fruta ou de lilás
Sobre uns olhos sonolentos
Pálpebras roxas que tombam com ternura

Ah, doces mãos amoráveis
Que a minha tristeza fechasses
E assim me embalassem piedosas
No chão que tu sovas me enterrassem


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

04/03/10

Nota da autora in "Afrodite, ou as brumas de uma paixão incontida"


Surgida das brumas do mar, Afrodite foi imortalizada pelas mãos de grandes mestres. No entanto, há duas versões sobre o nascimento desta grande Deusa. Na versão de Homero, Afrodite nasce de modo convencional, como sendo filha de Zeus e Dione, ninfa do mar. Já na versão de Hesíodo, ela nasce como consequência de um acto bárbaro. Cronos, cortou os órgãos de seu pai Urano e atirou-os ao mar. Uma espuma branca surgiu em torno deles e misturando-se no mar, gerou Afrodite. Sendo assim, Afrodite é filha do Céu e do Mar, a Deusa Mãe original em muitas tradições, e o primeiro fruto da separação do céu e da terra.
Como foi gerada no mar, é a filha do começo, é a figura que, igual à Deusa original, volta a unir as formas separadas de sua criação. Nesse sentido, Afrodite "nasce" quando as pessoas recordam, com alegria, o vínculo que une os seres humanos com os animais e com toda a natureza e ainda, quando percebem esse vínculo como uma realidade clara e sagrada.
O mito sugere que isso aconteceu mediante o amor. A união converteu-se em reunião, pois do amor que gera vida faz-se o eco do próprio mistério da vida.

“Também eu, Haafrodite, surgi um dia através das brumas de um mundo virtual. Do meu passado nada reza na história, excepto nas crónicas que nós dois vamos deixar gravadas nas páginas dos nossos dias, das nossas realizações. E a nossa história remonta há cinco anos atrás.

Naquele dia, tu surgiste vindo do nada e eu do nada te apareci. Por entre a névoa de um mar povoado, tu destacaste-te aos meus olhos pela tua doçura, e eu, talvez pelo meu nome.

Distantes e afastados pela terra que habitamos, o fulgor que me deste a partir do teu monte Olimpo, acendeu em mim uma chama que tem ardido até hoje. Em mim, essa centelha de luz gerada de ti, concebeu a névoa da minha labareda, com todo o resplendor, e que nestas páginas deixo gravadas para que durem uma eternidade.

Tu, meu “Deus Grego”, serás sempre o criador deste mistério ou destas brumas da minha paixão incontida”


Eternamente tua,
Haafrodite


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

03/03/10

Pétalas do meu desejo


Toma os meus seios perfeitos
Que cabem inteiros nas tuas mãos
Passa tuas mãos no meu corpo cansado
Sente os meus seios gelados
Que são mais teus do que meus

Beija meu peito inquieto
Tal como a asa procura a flor
Empresta-me o doce trago da tua boca
Da tua língua humedecida
Onde se esconde o teu mel

Chamo-te com as mãos
E abro-te meu peito
Desce de onde estiveres, meu amor
Sorve de meus beijos, regatos tranquilos
Onde se abrem nenúfares brancos e perfumados

Fecha tuas asas de luz
Nas pétalas do meu desejo
Amado da minha Alma
Desejada visão que me acompanha
Como um sonho de amor

Tu, minha espiga de oiro
Que o sol beija pela manhã
Sente meus seios macios e rijos
Prova a doçura da minha boca
Fecha esta porta tão aberta como meu peito

No meu leito não há muros
Nem meus braços se cruzarão
Quando tocares meu corpo
Pois que tu és meu senhor
E eu a escrava que te espera

Guarda meus seios
Nas palmas das tuas mãos
Meu desejo é que me desejes
Agarrada à tua carne
Selo meu para que não me percas


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

28/02/10

Afrodite


Clarão escarlate que
Irrompe no Monte Olimpo
Espalha-se pelas frestas das casas
Da cidade que jaz em festa

Musas de cabelos loiros
Peles alvas e seios fartos
Ninfas da floresta
Envoltas em nesgas de seda

Nádegas carnudas
Conduzidas por másculos guerreiros
Possuídas em tendas coloridas
Sob olhares sedentos das jovens damas

Debaixo de tochas, incenso e vinho
Sem pudor as virgens se entregam
Aos braços viris que seguram seus seios
Arrancando-lhes beijos ardentes

Sob as tochas que ardem lentamente
Corre uma aragem distinta
Pele alva de olhar intenso
A mais bela das Deusas a chegar

Tez luzidia rija pelo desejo
Estonteante mulher
Despindo-se diante dele
Volúpia em pessoa gemendo no mundo inteiro

Mas eis que irrompe um trovão na madrugada
Estremecendo todo o Monte Olimpo
Surge Zeus enfurecido
Instigado pela Hera

Tremem mares e montanhas
Atraiçoando os amantes desacautelados
Afrodite e Ares separados
Condenados para a perpetuidade

A primeira estrela reluziu
Aprisionada ao firmamento
Uma outra vermelha a seguiu
Deslumbrado com a sua beleza

Assim condenados os dois amantes
Separados pela eternidade
Brilham um para o outro
Isolados, infelizes e distantes


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

25/02/10

Sonhos de um corpo nú


É de manhã que eu me visto
Com os sonhos imaginados.
Traço nos olhos um risco delicado
Feito da luz que adorna a minha sede de sonhar.

Bate o tempo
Nesta espera inquieta
Deliciosa e provocadora
Tentação aos meus sentidos

Voam sussurros
Que o sonho canta
Fios entrelaçados
Dos lábios humedecidos

Voraz desejo que desespera
Vontade rouca e sincera
De envolver este sonho
Na paz de um amor puro

À noite,
Reinvento os sonhos de dia trajados
Sob a luz da lua
Por mim
Repetidamente sonhados.



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Versos no meu corpo


Sopra um poema
Desnudo no meu corpo
Caminho gravado em mim
Sob o silêncio da lua

Versos sensuais
Em ondas de paixão
Intensa volúpia
Escrita na minha pele

Forte desejo
Dedilhado com luxúria
Implorado na tua boca
Estrada insaciável de amor

Ardentes chamas
Provocadas por teus beijos
Vontades supremas
Queimando meus segredos

Teu olhar quebra quimeras
Invade a privacidade latente
Do meu corpo excitado
Estrofe lasciva de cobiça

Quero para mim
Esse poema esquecido
Essência derramada
Sorvida no prazer

Sopra um poema
No meu peito aberto
Que escorre molhando o papel
Dos versos gravados no meu corpo




Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

18/02/10

Indelével



Quando me tocaste
E eu te senti,
As palavras saíram loucas
Desenfreadas, desgovernadas
Atabalhoando-se na minha boca

Lutei para as prender
E travar o turbilhão
Contacto suave e indelével
Cândida erupção
Que em mim rompeu

Roguei às palavras despegadas
Que se emparelhassem
Ao toque da melodia divina que conheci
Ordenei-as num branco imaculado
E poesia, senti.



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Quebranto de amor


No remanso dos teus braços
Meu amor, quero minha alma repousar
Abraça-me sem trégua
Abate esta saudade que me fustiga
Cala o silêncio com que me trajo

Arde de febre meu corpo
Trémulo, inquieto por te sentir
Percorro teu rosto na escuridão da memória
De dia e de noite, tormento meu
Desejo que me atinge como um açoite

Impudico desejo que me enlaça
Me consome e me abate
Clama vorazmente por teu ardor
Suspenso neste quebranto
Onde espero por ti, meu amor

Quero no remanso dos teus braços
Apaziguar a paixão que me devora
Que me transforma numa onda
Mareando em mil suplícios
Que me amarra o entendimento

No fundo dos teus olhos
Desamor quero afogar
Espero em devaneios meus
Este anseio apaziguar, a ti me entregar
Rio com rumo ao mar


Maria escritos
© Todos os direitos Reservados



Imagem: "Erotic Ballet Boots" de John Tisbury

10/02/10

PENJING - Exposição


A Filantrópica- Cooperativa da Cultura da Póvoa de Varzim, tem a honra de convidar V. Exa para a inauguração da exposição "PENJING" - Um olhar sobre bonsais, da autoria de Paula Da Rocha Moreira (Maria Escritos), no próximo dia 1 de Março às 21.30h. A exposição de bonsais elaborados com missangas, estará patente ao público até dia 15, com entrada livre e gratuita.

De salientar que 10% das verbas desta exposição revertem a favor de uma família extremamente carenciada de momento.

04/02/10

Quando vires uma estrela no céu...


Tenho uma história para contar. É verdadeira e passou-se há muitos anos atrás. Contudo, guardo ainda na memória a lição que me foi dada, e procuro dá-la na mesma proporção e medida da que me foi dada a mim. Se assim não fosse, não faria sentido.
Admito porém que nas horas em que me encontro mais alterada, nem sempre me lembro deste ensinamento. Afinal, sou simplesmente humana!


Eu devia ter os meus 18 anos, à volta disso. Trabalhava como empregada de mesa num restaurante. Nessa profissão, como noutra qualquer, conheci muita gente. Algumas simpáticas e extrovertidas, outras nem por isso. Com a clientela certinha quase diariamente para almoçar, é normal que se acabe por criar empatia com determinadas pessoas, que chamam a nossa atenção na maioria das vezes, por um simples e minúsculo pormenor.

Havia um casal de namorados que ia jantar lá todos os dias. Recordo-me do nome do senhor - o Rui. O nome dela nunca soube, nem nunca olharia para mim, tão fina e elegante era a senhora. O Rui era diferente, sempre atencioso e educado. Sempre atento ao mais ínfimo pormenor e era aquele tipo de pessoa como nós costumamos dizer, daqueles que têm carisma. Era assim o Rui, um autentico “gentleman”.

Um dia, o Rui apareceu sozinho para jantar. Perguntei-lhe se estava à espera da senhora. Ele disse que não. Nesse dia, o Rui não parava de me fitar em silêncio e recordo-me dele me ter perguntado se estava tudo bem comigo, pois que muitos suspiros mudos ele estava a escutar.

Senti-me aparvalhada, como é óbvio e apenas me ocorreu dizer que estava tudo bem, apesar do meu olhar me trair e gritar que eu mentia.

O Rui demorou imenso tempo a jantar e foi ficando até a hora de fechar o restaurante.

Educadamente, perguntou-me como ia eu para casa aquela hora tardia da noite. Se alguém me ia esperar. Comecei a estranhar e a desconfiar. De repente senti pânico.
Porquê tanta pergunta e tanta preocupação sobre mim? A minha mente gritava que o Rui era gente boa, mas o peito tinha o coração aos saltos assustado e com medo.

Fui obrigada a aceitar a boleia dele para casa. Tive medo e sentia-me desconfortável e piorou este sentimento quando o Rui me disse que antes de me levar a casa, íamos a um sítio especial, e que ele tinha de me levar lá.
Eu estava em pânico. O terror de me acontecer algo às mãos de alguém por quem durante meses tive na mais alta consideração, deixou-me a tremer da cabeça aos pés.
Durante todo o caminho segui muda e calada pensando apenas numa solução para fugir em caso de perigo.
Sei que o Rui foi falando da vida dele, mas confesso que o medo que eu sentia era tanto que não me recordo de nada do que ele disse.

Ao fim de 15 minutos de viagem, estacionou o carro mesmo em frente á praia.
Mau! Disse para os meus botões…
- Podes sair do carro, por favor? – Disse ele.
- Como? Está frio lá fora! - Disse eu tentando ganhar tempo.

O Rui saiu do carro e eu segui-o. Ele estava tranquilo, eu, apavorada. Ao aproximar-se dum muro que separa a areia do passeio, ele deitou-se de barriga para o ar, ficando de olhos fixos no céu.
- Deita-te aqui, disse ele.
Desconfiada, mas com medo dele caso não obedecesse, acabei por me deitar o mais afastado dele que pude. Na minha cabeça rodopiavam mil e uma ideias sobre as intenções dele, que me deixavam tonta.
Acabei por fitar também as estrelas. Apesar do vento frio o céu estava estrelado e a sua luz espelhava-se nos nossos rostos. Ao longe ouviam-se as ondas do mar que teimavam em bater na areia.
O peso do silêncio que se instalou foi cortado pela voz do Rui.
- Eu não quero saber quais são os teus problemas porque os problemas deixam-nos sempre tristes. Não quero saber da tua vida mas preocupa-me o que possas fazer com ela. Peço-te que olhes bem de frente as estrelas, que imagines e calcules bem o tamanho de uma delas para poderes comparar os teus problemas com o tamanho dessa estrela.
Comecei e fazer a comparação. Quanto mais me apercebia do tamanho da estrela que eu escolhi, mais pequenos me pareciam os meus problemas. Mantive-me em silêncio mas devo ter soltado um suspiro de alívio pois o Rui continuou:
- Tu és maior que os teus problemas e a estrela é maior do que tu. Agora compara a estrela com o universo. È infinito, não é? E o que representas tu perante este universo carregado de milhões de estrelas e planetas?
Foi quando me apercebi da dimensão real da minha preocupação.
Apesar de na minha mente se ter formado a ideia de que eu não passo de um mísero grão de areia comparada com o universo, nesse dia, o Rui mostrou-me que mesmo assim eu sou maior que os meus problemas, e esses mesmos problemas, por maiores que eles sejam, não são nada quando comparados com a grandeza do infinito.
Compete-me a mim, este simples grão de areia manter os problemas no seu devido lugar.

Naquela noite voltei a casa mais leve e mais aliviada pois aprendi que nem tudo o que parece, é!! Aprendi ainda a confiar um pouco mais nos ilustres desconhecidos que têm a capacidade de ler um simples olhar.
Naquela noite, regressei a casa mais rica. E o Rui nunca mais se ofereceu para me levar a casa!!



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

27/01/10

Raízes da minha alma


Corpo teu
Que se tatua na minha pele
Impaciente por ti
Coração meu que sente
Alma minha que estremece
Toque teu em meu alento
Unido ao teu veemente
Uma carícia de amor
Olhando teu corpo no meu
Indagando o que aconteceu
Minha alma lavada
Não se perca de ti
Cujas raízes carrego no peito
Em terra fértil extravaso
Bradando com sonoridade
Alma tua, que a minha floriste
Com estirpes tuas me cobriste
E juntos nos conduzimos à eternidade


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados