28/04/10

Sentindo


Essa frescura da tua pele
Que me acende os sentidos
Toque místico de amor
De desejo e de volúpia
Sofreguidão imparável
Das línguas enroladas
Num enlace celestial
Mundos insondáveis
No aperto dos teus braços
Membros fortes que fincam
Os sexos unidos lascivamente
Arde-me nas entranhas
O desejo carnal, crescente
Sexos sorrindo
Em tentações irresistíveis
Por entre os espasmos desatados
Bramidos loucos de prazer
Que nem os olhos vendados
Me impedem de ver.




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

27/04/10

Encontro dos corpos


Olhar indiscreto no alto do meu seio
Penetrando o meu olhar
Vontade louca de beijar
Desejo libertino da minh’alma
Sou senhora na vaidade
No ser e no ter
Tua pele na minha pele
Escorrendo suor, nua e crua
Boca quente, Mãos fortes
Amarrando a minha anca
Enovelando as pernas numa só
Encaixe sublime do momento
Perfeito ballet de corpos
Cheiro doce de amar
Bocas ávidas, línguas atrevidas
Teu membro mais que essencial
Por entre as minhas pernas
Sinto o olhar pecaminoso
Seiva de prazer extraído
Até perder os sentidos
Ah! Doce perfume
Vindo do gozo irrompido
Fonte insaciável de prazer
Almas e corpos sedentos de querer


Maria Escritos
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26/04/10

Campo de lírios


“Vês lá ao longe o campo de lírios? É onde mora a minha alegria e lá procuro a tua também, para que as duas de mãos dadas a possamos dar a quem não tem. E ai daqueles que não acreditam que naquele prado tudo é possível, porque de mãos dadas tudo se faz, com o amor que aos olhos também é invisível. “




Maria Escritos
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Noite de luar


Luar branco da noite
Que percorre meu corpo
No breu do meu quarto
Que preenche meus caminhos
Com beijos humedecidos
De sua boca suculenta

Luar branco da noite
Que se banha na minha substância
Delicioso candor roçando meu corpo
Sem braços para me enlaçar
Acalenta minha alma
Faz meu sangue ferver

Luar branco da noite
Dança só para mim
Abrindo corpos unidos
Entrega fatal numa valsa sensual
Desamarra teus cabelos
Liberta teu corpo alvo
Conquista-me com teus vagidos




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

24/04/10

Louca por amor


Nunca se sabe
Nunca se sabe se vou rir ou chorar
Se vou partir ou chegar
Pois que nos meus versos carrego
O imperceptível tremor do desatino
Que uiva de razão louca
Criança que tudo quer.

Nunca se sabe se movo montanhas
Ou caminho descalça no fogo
Que me consome a carne
Leve palha voando no ar
Que abala o meu olhar
Notas entoadas no azul
Magia habitando em mim.


Nunca se sabe se viajo
Na beleza do rosto
De onde chegam os meus sonhos
Ou se queimo as entranhas
Com a chama que vibra nos meus olhos
Sinto-me louca, eternamente louca
Que ama como ama o amor.

Não conheço outra forma de te amar!





Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

23/04/10

Demónios da noite


Quando a noite cai
Derruba-se sobre o meu corpo
A sombra da tristeza
Que me cobre de lágrimas
Crava-se no meu peito
Um punho cerrado
Que me esmaga o coração
E eu tombo, desfalecida
Com o peso que carrego
Este fardo maldito da solidão...

Virá o dia em que serei livre
e nesse dia talvez consiga voar
Mas hoje, já derrotada
tropeço nas palavras
Ferindo-me, por não ser amada

Oh sorte maldita
Que em mim te colaste
Vade retro, satanás
Tudo que eu quero é paz!


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

21/04/10

Descontentamento


Fiz meus sonhos de menina
Sentada na janela a olhar
Cinzelando uns lábios ternos
Para meus beijos roubar
Risquei no embaciado dos vidros
Teus braços fortes e musculados
Criei um jardim de mil cores
Para passearmos abraçados
Num outro cantinho da janela
Fiz das estrelas o brilho do teu olhar
Moldei teu corpo esbelto
Para no meu se encaixar
Sentada numa cadeira
Vendo a minha janela ao luar
Reparei que era estreita
E não te fiz coração para amar!



Maria escritos
© Todos os direitos reservados

20/04/10

Poesia


Mais do que amar a poesia
Queria ser poesia, inventada
Num sonho de alguém
Andar agarrada
Às bocas famintas
Do beijo de ninguém.
Queria cantar em silêncio
As notas sopradas com prazer
Nas horas loucas
Das palavras produzidas
Poéticas,
Perfumadas como lírios
Ávido toque mágico
Como só um Deus pode fazer.
Entrego meu corpo ao Olimpo
banhando-me em chuva de prata
Aguardo impaciente, a tua voz
Doce melodia que me arrepia
e minha alma arrebata.



Poema de Maria Escritos
FOTO de Nuno de Sousa
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Estrelas no céu


Descalça, tropeçando nos soluços embargados na garganta, Eilan seguiu o trilho até ao riacho. Lá, banhou-se demoradamente, afogando as lágrimas que ainda lhe restavam. Quando subiu até à margem, espalhou na pele um creme almiscarado, na esperança de apagar todas as marcas gravadas pelo toque das mãos que lhe percorreram o corpo anos a fio. Sentou-se a jantar, e comeu como se fosse a primeira vez que o fazia. Mais tarde, sentindo o peso dos olhos que adivinhavam o repouso necessário, preparou o seu leito com folhas secas e terra fresca, como se tivesse sido acabada de regar. Procurou o seu manto de musgo tecido com fios de seda e tapou-se. Deitada, na sua gruta, Eilan serenou e erguendo os olhos ao céu, ficou a contemplar as estrelas e a trocar piscar de olhos e sorrisos com elas. A lua, adormeceu antes de todas, pois quando as estrelas se espalham e brilham no céu, nada consegue igualar a sua beleza.




Maria Escritos
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Vem, meu amor



Abraça-me
Com a tua alma
Beija-me
Como quem sorve mel
Deseja-me
Como quem se agarra à vida
Toca-me
Como se eu fosse uma orquídea
Devora-me
Com teu olhar sequioso
Aconchega
Teu corpo
Em meu calor
Sente meu desejo
A crescer
Escuta
O frenesim
Do meu coração
Transforma-me
Na tua ninfa do amor
Ama-me
Como se eu fosse …a mais bela flor!



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Vida


Vida, que de mim pariste,
Este rubor que em mim existe
Esfaimado e sedento de amar
Um espaço vazio para descansar

Profundo e evidente
Hiato este crescente
Pintado com lodo e pó
Estraçalhando meu corpo só

Vida, que de mim partiste
Rascunho trágico e triste
Lágrima vermelha como carmim
Ergo-te os braços e chamo-te a mim



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Mágico momento


Corpo meu que se contorce
Como escultura em tuas mãos
Rende-me à doce tentação
Da cálida carícia sobre a carne
Sou quem desejas no ensejo
Deusa que te enlouquece
E em meus trilhos estreitos
Mergulhas teu centro

Corpo meu que se retorce
Ansiando teu dedilhar
Minha boca, o teu sugar
Delongo mais um sonho
Fogo da realidade
Faminta de gozo desmedido
Talhada a beijos e provocações
Deliciosa luxúria mansa

Corpo teu que me cobre
Febril e esfaimado de prazer
Faz-me tua, toma-me nua
Acaricia meu rosto, beija meus seios
Desata sussurros no meu peito
Invade meu ventre de mulher
Embebe teu eixo de prazer
Mágico momento, meu alimento



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

16/04/10

Quem sou eu?



Sou sereia cantando na praia
Banhada pelos raios de luar

Sou as ondas que se desfazem na margem
Puxando a si as areias da praia

Sou as algas dançando no fundo do mar
Embaladas pelas forças da natureza

Sou o golfinho que salta no oceano
Fazendo bolhas de espuma

Sou a luz do sol nascido pela manhã
Aquecendo a natureza mãe

Sou a escuridão da noite
Para as estrelas poderem brilhar

Sou o vento que fustiga o rosto
E o sol que bronzeia a pele

Sou a agua cristalina que sai da fonte
Descendo os caminhos da montanha

Sou o cheiro da terra acabada de regar
Num dia quente de verão

Sou a chuva que bate furiosa nas janelas
Querendo entrar a toda a força

Sou a gaivota que se eleva no ar
Pipilando de alegria

Sou o riso de menina traquina
Saído dum corpo de mulher

Sou a folha que se despenca da árvore
Caindo no chão de braços abertos

Sou um espírito indomável
Que gosta de voar sem limites

Sou um ser repleto de amor
Sou tudo e não sou nada
Sou tanto num só
Sou mulher, talvez!
Livre, presa e apaixonada…




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Desejo de mulher



Aproximo-me de ti num movimento gracioso de felino enquanto me contemplas com esse teu brilho no olhar. Num gesto suave e sensual começo a beijar os teus pés, sugando um dedo de cada vez e atirando-te um olhar provocador. Beijo após beijo percorro cada pedacinho das tuas pernas enquanto as mãos acariciam o teu membro viril, que erecto manifesta o gozo que te dou. Roço ao de leve a lingerie preta sobre o teu corpo para me voltar e debruçar sobre aquele membro intumescido que bem erecto me pede para me voltar para ele. Beijo-te e deixo a língua percorrer o teu corpo. Inclino-me para que me beijes no sítio exacto e me arranques um gemido de prazer. Sinto a tua língua dentro de mim e a excitação a aumentar. Provo na minha boca o leve pulsar do teu falo e sei então que está pronto para me possuir. Deito-me de costas e abro as pernas para o receber dentro de mim. Ah, como anseio por ti meu amor. Com movimentos ritmados iniciamos a nossa dança lenta do amor, ate cairmos extasiados num abraço sem fim.
Faz-me tua outra vez meu amor, então te direi quando por fim te contorceres libertando espasmos e arrepios de prazer.


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

13/04/10

Anseios


Anseio apenas vaguear
O céu aberto abraçar
Estar contigo a meu lado,
E voar!

Desejo partilhar a conquista
E nesta vida não ceda
O doce saborear do mistério
Que a teu lado me faz navegar.

Livre esvoaça meu coração
Sente a ilusão que te pode abraçar
Cresce a paixão na minha razão
E a vontade de nos teus braços ficar.

Sinto ainda o gosto da maresia
Que o vento traz em melodia
Gotas assinaladas em meus lábios
Beijos ardentes de euforia

Corpos unidos numa valsa singular
Movimentos cadenciados graciosamente
Arquejos e sussurros esbaforidos
Ritual sagrado celebrado apaixonadamente.

Deixa-me ir contigo e voar
Planar aos teus sonhos abraçada
Quero sorver do nosso voo
A vontade de amar e ser amada.

Vultos frenéticos horizonte adentro
Ensaiando a dança perfeita
Unificam-se o céu e a terra
Abençoando a criação satisfeita.



Maria Escritos
©Todos os direitos reservados

Pecado



Ela, que veio do mar
Deusa radiante da beleza feminina
Baila despida, oculta aos nossos olhos
Estrela luminosa da manhã

Amante do encanto virginal
Semeia seu feitiço na areia orvalhada
Vénus eterna da beleza
Sensualidade feminina revelada na Mulher!

Entre o céu e a terra, ele veio
Fruto proibido de um passado distante
Maçã brilhante de um pecado apetecido
Sumo de romãs servido em taças finas

Irrompeu impetuoso procurando por ela
Sorvendo seu mel sem blasfémia
Corpos ensopados de suor
Dominados pelo amor escaldante

E Se amar é pecado
Eles, serão eternos pecadores
Que devem ser perdoados
Por se banharem de amores




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

12/04/10

Ode ao Amor


Gosto de olhar os teus olhos
E ver-me reflectida no brilho deles
Sussurrar-te ao ouvido
O quanto te quero, e
Te espero!

O toque da tua mão em meu rosto,
Na minha pele branca roçando de leve
Bocas coladas unidas num beijo
Quente! Línguas atrevidas
Como as labaredas do fogo.

No calor desta paixão,
Soltam-se arrepios de prazer
O teu corpo no meu, enrolados
Ardor que aumenta o desejo
E a avidez do beijo.

Entre as ondas da volúpia
Sobressaem gemidos da paixão
Os Deuses nos deram este rumo
E também a flor para que a colhêssemos
Como quem larga fluxos sobre o leito.

A ti eu amo, porque amo
Pondo meu querer antes do ramo
Pois a inocência inata quando se ama
Corre o rio onde encontra seu retiro
E não quando é preciso!



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

Simples olhar


Olhar que discursa
Em silêncio, rogando
Ao tempo que volte atrás
E a cegue de amor outra vez.
Grito de suplica ensurdecido
Das noites ardentes de paixão
Resgatando abraços
Bem rentes à pele
Olhar felino, provocador
Vibrante, livre e quente
Olhando fundo nos olhos
Dos braços de quem a prende
Há-de ficar viva e permanecer
De olhar fixo na estrada
Antes dos passos anunciarem
A outra parte do seu ser.
E os seus olhos nos dele
Repletos ao despertar da aurora
Corpos saciados com pujança
Unidos pelo olhar de outrora.
Não se cerram olhos esta noite
Invadem-se as mentes encantadas
Olhares cúmplices e penetrantes
Carícias de amor pela alvorada.
Basta o olhar feminino
Enigma que persiste eterno
Segredos e mistérios escondidos
Arremessados pela janela da alma.


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

10/04/10

Beijo


Beijo arrebatado,
No prazer das línguas
Loucas, desenfreadas
Escondidas sob um lençol.

Beijo de fome
Sofreguidão de quem ama
E pela boca desfere
Sentimento bélico do bem

É a fome da língua que sente
A boca do verbo amar
É um beijo dado na alma
De quem ousa se transformar

E quando as línguas se tocam
Os corpos, abrasados, unificam-se
Saciando o instinto
Sem regras e normas.


Ah! Beijo…
Beijo penetrante e denso
Que faz a pele arrepiar
O desejo no ar suspenso
E as línguas na boca na hora de amar.


Maria Escritos
©Todos os direitos reservados

08/04/10

(Aos) Poetas


Os poetas
Invocam sonhos!
Abrem os braços
Sorvendo a vida em pedaços,
Ecoam palavras,
Nos infinitos espaços!
Pousam versos no ar,
Como andorinhas a voar!

Os poetas
Trovam magia!
Dum momento,
Recitando o sentimento,
Que submerge do talento!
Quimeras!
Poesia!
(Silêncio)
Rima penetrante
Que faz entoar o vento

Os poetas choram!...
Sofrem!...
De Amor, de saudade!
Na excelência pura,
Em liberdade,
Todo o poeta
Tem alma profunda,
Imensa, insatisfeita!
E nas suas lágrimas
A humanidade rende-se
E com elas se deleita!


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

05/04/10

Pedaços que restam de mim


Porque me desfaço em palavras
Se me desconheces quando te invado os sonhos
Quando me transformo em lembranças e ficas no meu pensamento
Se me rasgo em pedaços e desfaço em cacos

E neste chão me desfaço e refaço
Não sei se fico ou se parto
Com a saudade escondida por entre a névoa
Sorrindo em popa com espuma na mão

Não sei porque me apago e reparo
Com tantas palavras no meu regaço
Que adornam estes pedaços que restam de mim
Histórias que fiz, mesmo assim

Palavras, deste mar meu onde navego
Mar sem fundo, palavras sem fim
Pedaço, após pedaço eu me ofereço
Às ondas das palavras que eu não conheço

Destituída dos sentimentos que enxergo
Nesta imensidão de fragmentos que sou
Abraço a esperança que me faz Ser
E desfaço-me na Praia do amor
Que alvoroçada espera por mim



Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

04/04/10

Encanto


Estarei louca, mas não tanto
Por te perder no meio do meu pranto
Ao procurar-te na escuridão
Correndo o leito vazio com a palma da mão

Estarei louca, mas não tanto
Carregando-te ainda no mesmo manto
Remendado a lágrimas noites a fio
Pérolas geladas como as aguas do rio

Estarei louca, mas não tanto
Desgarrada consentindo o meu canto
Que enrola este aflito padecimento
E no escuro me sova o pensamento

Estarei louca, mas não tanto
Por crer que amar não tem marco
Cunho singelo, delicadamente gravado
Com lágrimas e sorrisos num espírito enamorado

Estarei louca, mas não tanto
Encarcerando o infinito no meu recanto
Numa morada feita de oiro e marfim
Encadeando este amor só para mim!


Estarei louca, mas não tanto
Porque tudo que vejo e sinto não passa de puro encanto...


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados