20/04/10

Estrelas no céu


Descalça, tropeçando nos soluços embargados na garganta, Eilan seguiu o trilho até ao riacho. Lá, banhou-se demoradamente, afogando as lágrimas que ainda lhe restavam. Quando subiu até à margem, espalhou na pele um creme almiscarado, na esperança de apagar todas as marcas gravadas pelo toque das mãos que lhe percorreram o corpo anos a fio. Sentou-se a jantar, e comeu como se fosse a primeira vez que o fazia. Mais tarde, sentindo o peso dos olhos que adivinhavam o repouso necessário, preparou o seu leito com folhas secas e terra fresca, como se tivesse sido acabada de regar. Procurou o seu manto de musgo tecido com fios de seda e tapou-se. Deitada, na sua gruta, Eilan serenou e erguendo os olhos ao céu, ficou a contemplar as estrelas e a trocar piscar de olhos e sorrisos com elas. A lua, adormeceu antes de todas, pois quando as estrelas se espalham e brilham no céu, nada consegue igualar a sua beleza.




Maria Escritos
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