27/01/10

Raízes da minha alma


Corpo teu
Que se tatua na minha pele
Impaciente por ti
Coração meu que sente
Alma minha que estremece
Toque teu em meu alento
Unido ao teu veemente
Uma carícia de amor
Olhando teu corpo no meu
Indagando o que aconteceu
Minha alma lavada
Não se perca de ti
Cujas raízes carrego no peito
Em terra fértil extravaso
Bradando com sonoridade
Alma tua, que a minha floriste
Com estirpes tuas me cobriste
E juntos nos conduzimos à eternidade


Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

26/01/10

Espero por ti


Espero por ti
No infinito iluminado
Pela lua e pelas estrelas
Espero por ti
À noite, à beira-mar
Com as ondas, tontas
O teu nome a invocar.

Espero por ti
Enquanto avisto a Lua
E nela me reflicto, assim, nua
Espero por ti
Vislumbrando os salpicos das estrelas
Que se atiram à água
E teimam em beijar o mar

Espero por ti
Quando a noite cai
Fria e escura
E neste espera longa
Desespero, fico louca
Sonhando enrolar-me a ti
Como as ondas fazem no mar.

Espero por ti
No meio dos meus sonhos
Construindo fantasias
Enquanto a Lua e as estrelas
Brincando e reluzindo
Me convidam a sonhar
E só o teu nome nasce no ar

Espero por ti
Absorta nos meus sentidos
Enfeitada com espuma das ondas
Deitada num manto de estrelas
Desejosa, reflectida no luar
Por ti a bramar
Enquanto puder sonhar!

Espero por ti
Deitada ao luar…



Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

24/01/10

Tu



Teu odor embriagante
Razão do meu desejo perturbante
Percorre-me em arrepios
Suores frios
Um aroma fulgurante

O gosto da tua pele
Arranca as feromonas da paixão
Este sentido enfurecido
Prazer reprimido
De liberdade e vastidão

Teu beijo no meu corpo fremente
Doces lábios que roçam lentamente
O arder da minha pele
Teu corpo que brada por mim
A respiração em frenesim

Possui-me lentamente
Saciando meu desejo ardente
Tropeça na minha pele
Emboca dentro de mim
Traça um agora sem fim



Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

22/01/10

Leva-me



Leva-me contigo
Envolta na luz branca do luar
Faz de mim a tua musa,
Essa inspiração celestial

Leva-me contigo
Agarrada ao teu olhar
Faz de mim uma chama
Nos teus olhos a cintilar

Leva-me contigo
Abraçada ao teu calor
Derrete os meus sentidos
E sorve do meu amor

Leva-me contigo
Palmilhando ruas desertas
Aspirando um único aroma
Da felicidade que em mim despertas

Leva-me contigo
Porque o teu mundo é o meu lugar
O teu corpo é o meu templo
E só a ti me quero entregar

Leva-me contigo
Que este lugar não é meu
Cala as minhas súplicas
Apenas com um beijo teu


Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

21/01/10

Faltas-me tu



Tenho tanto, que diria ter tudo
Tenho amigos, tenho amores
Tenho a bênção da vida
E até o sangue que escorre da ferida.
Tenho o abraço da gente que me envolve
Com um beijo e um sorriso
Dão-me um ombro, dão-me a mão
Palavras quentes, sem sermão.
Mas tudo que eu quero
E tudo que eu preciso
È a louca da sorte
Que está á minha frente
E se cola na minha pele, bem rente.
Sinto o fundo do mar vazio
Precisando da chuva
E das correntes do rio
Regando esta semente
Levando-a Mar adentro
Correndo lenta num fio.
Vivo num mundo
Que simplesmente flutua
Onde as rochas são pedra
E a areia é poeira
As flores, são meros espinhos
Que adornam a rua onde caminho.
Sem aromas coloridos
Sem os teus beijos sentidos
Sem tuas carícias em meu corpo
Sem tua respiração em meu rosto
Sem teu rosto nas minhas mãos
Trilho as pedras da minha vereda
Consumida por esta labareda
Que me faz sentir totalmente só!


Maria Escritos - 2010
© Todos os direitos reservados

20/01/10

Na outra margem do meu silêncio


Na minha Alma recta, vergo
O espesso manto do silêncio
Venço o tempo que nos separa
Reconheço-te sem ver tuas feições

Exalo o grito abafado, amordaçado
Na minha boca ressequida de saudade
Reganho o cântico perdido na voz
Planto sonhos e fantasias

Entre sorrisos reflectidos, no olhar
De um mundo insuspeito e ardoroso
Compartilho o sentimento
Onde o amor volta a desabrochar

Por fim, grito de exultação
Vencida que foi a espera
Senhor de todas as razões
Rei das minhas ilusões

Mundo a preto e branco
Agora aberto em arco-íris
Deixa-me gemidos atravessados
A adornar a face nos cânticos ao mar

Canta o silêncio dentro de mim
Eco do meu coração, desenfreado
Afundo em vales de brandura
Na outra margem do meu silêncio


Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

15/01/10

Quero o cheiro das rosas


Hoje, não quero falar de amor
Quero carícias sussurradas
Por entre os lençóis
Quero morder tua orelha
E beijar teu pescoço
Quero agarrar-me ao teu dorso
E puxar-te para mim.

Hoje, quero virar fera
Quero sentir tua língua
Entranhando na minha boca
O doce grado do teu beijo
Quero que sorvas do meu peito
E me arranques com jeito
Um grito deliciado de prazer

Hoje não quero falar do amanhã
Quero sentir-te no madrugar
E guardar bem a lembrança
Quero sentir os corpos embrenhados
Num abismo culminante
Hoje, quero o cheiro das rosas
Gravado num sorriso de alegria



Maria Escritos - 2010
© Todos os direitos reservados

12/01/10

Outra margem de mim


E é nesta dormência demente
Que me assola o corpo inteiro,
Que estremeço e enlouqueço
Sentindo falta do teu toque
No espaço vazio
Deixado na minha pele.

Despojada assim do meu pensar
Vagueando à deriva
Nesta vasta imensidão
Ensandeço, atordoada
Ansiando avidamente
Pelo calor do teu olhar
Pousado suavemente em mim.

Grito em silêncio o teu nome
E tudo que escuto
É o eco emudecido
Desta demente dormência
Que me deixa adormecida,
Morando perpetuadamente
Neste êxtase sonhado,
Aguardando o teu corpo no meu
Extinguindo este defeito
De ter feito de ti
A nascente que me suporta
E me transporta
À outra margem de mim.



Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

Soberano e meu senhor


Deixaste-me ver a tua alma
Para me mostrastes o verdadeiro amor.
Deste-me uma nova razão para existir
Quando através dos teus olhos
Me mostraste que um amor como o nosso
É bem mais forte do que qualquer lei.
Um olhar teu é suficiente para iluminar o meu dia,
Tal a intensidade do nosso amor.
Na tua alma descobri uma nova forma de ver
O baloiçar das folhas das árvores
Que seguem ao ritmo da música
Que trago no coração;
O sol brilha mais forte com mais intensidade;
A terra acabada de regar
Tem um cheiro doce,
Mais doce do que me recordo
E as nuvens brancas em contraste com o azul do céu
Assemelham-se a montinhos de algodão doce
Que apetece morder.
Solta-se o riso desenfreado da minha boca
Seguindo o ritmo da melodia que ecoa em mim
Rendo-me deslumbrada à névoa que me entretém

Desprende-se no ar um perfume sublime

Onde este amor é soberano e meu senhor!

O Mundo é tão bonito e eu nunca tinha reparado…


Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

06/01/10

Brotar de uma paixão


Hoje acordei com vontade de ti
Queria saciar a minha sede na tua fonte de mel
E espalhar no meu corpo o calor das tuas carícias

Hoje acordei com vontade de te ter ao meu lado
Num sono leve de criança enroscado no meu corpo
Num abraço apertado unindo o nosso peito

Hoje acordei com vontade do momento
Que se tornou eterno sem tempo para acabar
E nos entregarmos ali num beijo apaixonado

Hoje acordei com vontade de fechar os olhos
Para sentir o teu olhar no meu sorriso de paz
Alargando o meu prazer à vontade de todas as manhãs

Hoje acordei com vontade de te amar
Nessa insanidade possuir teu corpo e amar-te de verdade
Apaziguar o fogo do desejo que me cobre e me invade

Hoje acordei com vontade de ter o que não posso ter
Só a tua ausência vem para me responder
Demência estranha dos meus sonhos sensuais que em mim jazem tão reais.



Maria Escritos - 2010
© Todos os direitos reservados