30/07/09

O meu lar



Quero-te, como quem quer agua para matar a sede
E aspiro sofregamente da mão que me estendes
Aprecio o teu odor almiscarado
Condescendido no trago ofertado

Entrelaças os dedos da tua mão nos meus
Como uma bênção que vem dos Céus
Beijo teus olhos com ternura
E alicerço-me no teu peito com candura

O teu corpo é o meu mundo
Que acolhe o meu sentir profundo
O teu abraço é o meu lar
Que a todos os dias quero voltar

No teu olhar eu queria ver
A felicidade a prosperar
E com a cumplicidade dos nossos tempos
Podermos os dois a nossa casa voltar


Maria Escritos

A Rosa


Frágil e suave
Delicada e macia
Tão simples e bonita
Que até parece magia

Elegante e sensual
No alto do seu esplendor
Sempre que a vejo
Transbordo de amor

Sua luz é eterna
E aumenta a cada dia
Em cada canto do mundo
Dá uma nova alegria

Não importa o tamanho
Não interessa a sua cor
Apenas o que conta
È a força do seu amor

Cada pétala nova
É um amor conquistado.
Em cada flor nova
Um amor desabrochado

Frágil e suave
Delicada e macia
O seu nome é rosa
Porquê, não devia?

Maria Escritos

29/07/09

Por um fio


Revela-me o que fomos construindo e partilhando ao longo deste tempo.
Descreve o que possuímos e construímos em comum.
Recorda-me dos dias de conivência passados lado a lado.
Mede a intensidade do teu amor por mim.
Pesa todo o sentimento da minha Alma por ti.
Conta-me os segredos que não revelaste.
Fala-me da certeza.
Presenteia-me com a segurança.
Dissemina em mim a felicidade.
Afasta este vazio que me consome.
Destrói a magoa que acumulei.
Diz-me porque me encantaste numa paixão absurda.
Reforma as palavras de amor
E desvenda-me a realidade.
Por fim, diz-me onde fica o meu lar,
Pois não sei como é a minha morada.

Maria Escritos

28/07/09

Eco do pensamento


As gotas pesadas substituem o toque suave dos raios brilhantes tornando o meu semblante mais cinzento e carregado..... Atiram-se com toda a força contra as vidraças das minhas vistas. Sopram furiosas, mais velozes que o próprio vento e atiçam lembranças de um ensejo projectado no mar. São geladas e portadoras de uma ira veemente, opondo-se ao calor suave que procede de ti.
Viesses tu, desejo meu, com toda esta pujança atirar-me assim para uma quimera. Sentisse eu o toque perfumado do teu sopro sobre o meu espírito... e me desses vida.
Sustenho o teu lugar vazio quando entrevejo no horizonte do mar a sombra cinzenta da tua feição. E então fecho os olhos. Ah, como eu queria, que me envergasses com as tuas cores e me cobrisses com o teu manto caloroso. Deixar-me-ia fundir … até resplandecer tanto como tu…
Vigia o meu carpido e vem até mim mais uma vez para me confiares o teu segredo. Imploro que voltes ao teu lugar e não me enjeites nesta eminência de onde te chamo com gritos surdos que se repetem nas dunas.
- Ó luz da minha vida, não me abandones outra vez.


Maria Escritos

Sentindo, pensando, Existindo


Sinto a ternura com que afagas meu rosto
Como uma brisa suave que brinca ao meu redor
Provo o teu beijo sentindo o teu gosto
Tomando emprestado um pouco do teu calor

Um simples gesto, suave e ternurento
O toque dos teus lábios pousados em mim
Por um momento parados no tempo
Um raio de sol brilhando sem fim

Sigo vivendo neste breve pensar
E em ti pensando, continuo sentindo
Que o gosto do beijo que me deste a provar
Me faz pensar que estou existindo

Maria Escritos

Fenix


Edificada a partir das cinzas fui fabricando o meu corpo talhado de cinzento. E durante a noite as estrelas trouxeram-me o seu brilho reluzente. O despontar da aurora ofereceu-me o vermelho arroxeado. E ao meio da manhã já o céu havia me emprestado o seu azul divino. Vieram aves doutras bandas para ver o meu esplendor enquanto limpava o pó das minhas cinzas e em seu lugar erigia uma morada de mirra, lenha e folhas de palmeira. No meio das minhas folhas vou tecendo tristes melodias e cada nota lamentosa que emito é uma evidência de minha alma imaculada. Enquanto canto, a amarga dor da morte penetra no meu íntimo e tremo como uma folha. Todos os pássaros e animais são atraídos pelo meu canto, que soa agora como as trombetas do Último Dia; todos se aproximam para assistir. Resta-me apenas um sopro de vida. Bato as minhas asas, agito as minhas plumas e canto a mais bela melodia jamais criada. Os pássaros e os peixes agitam-se, as bestas mais ferozes entram em êxtase; depois todos silenciam. Eu, imolada no meu bater de asas exalo o meu último cântico de amor com tal fervor que muitos sucumbem de coração ensanguentado ao ouvir a minha dor.

Maria Escritos

Tormento


Hoje choro em silêncio. Agarrada ás minhas lágrimas mudas deixo-me esvair num torpor insolvente. Desato de mim as talhas tecidas em devaneios de esperança.
Lavo-me dos pecados perpetrados e das ilusões almejadas. Este meu pobre coração, hoje nem sabe se vive ou se já viveu. Apenas goteia as lembranças cravadas em tempo de delírios. Será o sopro de vida que sucumbe ou talvez os sonhos que chegam ao fim. Não sei e pouco importa. Enchi o meu coração de amor sem ninguém a quem o dar. Estou sozinha, sinto-me desprotegida. Hoje talho com lágrimas as tábuas da minha vida. E chorando baixinho vou lutando com mágoa até que este tormento me mate a mim.

Maria Escritos

Fachada


Agrilhoaste-me
Com falsas palavras de carinho
Que proferias como quem atira migalhas ao chão
Atraíste
Toda a devoção que se pode desejar
E brincaste com o meu coração
Ousaste
Atear uma chama bem viva
Dentro da minha alma carente
Impediste
Que a distância que nos separa
Se tornasse numa felicidade resistente
Usaste
A minha alma e corpo ainda encerradas em ti
Que choram com a mesma exuberância com que te amo
Rogando que esta falsa clausura tenha fim
Proferiste
Durante anos aforismos desaforados
Sempre que nos quezilámos
Então prostro-me
E desfaleço sufocada
Por este romance de fachada

Que teima em manter-se na minha vida só para dizer que se “tem”.


Maria Escritos - 28/07/2009

Placidez


Ergo-me para tecer carpidos, num lugar só meu, longe dos olhares e das censuras. O brilho do meu olhar estampa-se num livro em branco, incompleto e com mil desejos por revelar. Surgem ânsias de aventura e dos mistérios segregados, numa onda ímpar de sensações. Estremece o meu corpo num frenesim louco antevendo o que está para vir.
À minha volta, chocam-se espadas e escudos entre raios e trovões, cravam-se garras afiadas num pleito sem fim. Sopra o vento com fúria levando tudo na sua passagem - os segredos, os mistérios e os golpes desferidos. Cai finalmente a chuva apaziguadora, trazendo consigo a bonança das tenebrosidades. E por fim deito-me a repousar nesta eterna placidez, onde apenas em sonhos me permito ser tua.

Reflexo de mim



Vi no teu olhar, um aconchego apaziguador qual cascata jorrando água suavemente sobre as pedras de um lago. Quis o sol irradiar-te de alegria quando me olhaste, e eu a ti. Eram notas musicais de uma melodia divina, sopradas com meiguice ao meu ouvido. Foram vagas de ternura suspensas nos gestos e nas palavras mudas. Voei. Elevei-me bem alto para saciar a minha sede. Embarquei nas ilusões colada ás asas de um instante perdido no tempo. Ri, chorei, saltei, exultei de felicidade…vivi. E agora tudo é passado. Eu, transformada em água que teima em chispar dos meus olhos, procuro avidamente um reflexo desse instante, algures dentro de mim. Sei, que apenas vi em ti, uma chispa de tudo que há em mim.


Maria Escritos

Gaivotas


Quando te vi, estavas sentada no muro olhando fixamente um ponto no infinito. Passei mesmo à tua frente e nem desviaste o olhar um segundo sequer. Fixei-me no teu semblante e fiquei ao longe a contemplar a tua tez pálida, nessa tua postura pura, perdida nos teus pensamentos. De longe a longe, prendias um caracol dos teus suaves cabelos loiros, que insistiam em separar-se do ondear dos teus filamentos. Tentei adivinhar porque te prendias assim, absorta em pensamentos, ignorando tudo à tua volta.
Chegavas sempre á mesma hora e procuravas quase sempre o mesmo lugar, como se estivesses numa plateia procurando o teu assento. Eu, sigo-te com o meu olhar e não consigo parar de perscrutar o enigma da tua presença silenciosa, aqui neste lugar.
Oiço o canto definido das gaivotas esvoaçando sobre o mar, como se entoassem um cântico em tua honra. Ao longe, ouve-se o toque de um sino badalando 12 vezes.
Mais dois segundos e levantas-te permitindo-me relancear o teu perfil adelgaçado envolto nesse teu manto recatado. Os teus cabelos balanceavam ao ritmo da brisa que vinha do mar empurrada pelas vagas. O sol, brilhou com todo o seu esplendor sobre ti, como se tivesse nascido só para ti, e foi então que me deitaste um olhar.
Foi quando te vi, como se fosse a primeira vez na minha vida. Esse teu olhar cativante alvejou – me enquanto caminhavas com toda a formosura transformada em passos lentos. Como são belos os teus olhos, e que paz irradia deles. Como é singela e cheia de graça a tua silhueta. Enche-me de ternura a poesia que vem de ti nesse teu simples olhar. Senti o teu odor perfumado trazido pelo vento quando partiste daqui.

Um dia deixaste de vir. Mas tenho voltado a este lugar, vezes sem conta, na esperança de te ver surgir como de costume. Guardo o teu lugar, enxotando quem se atreve a tocar no teu assento. Fico horas olhando o vazio, revivendo esses dias e escutando apenas as gaivotas que ao longe lamentam: Ela não vem, ela não vem!


Maria Escritos

Sorrir à Vida


Faz tempo que não caminhava assim ao teu lado. Que saudades de sentir o teu leve roçar por entre os meus dedos. Dou-me conta da falta que me fizeste este tempo todo. Eu sei, tens razão. Perdi-me num emaranhado de gentes sem escrúpulos que brincaram com as minhas emoções. Perdoa-me. Sabes, eu sentia um vazio cá dentro, inexplicável, sem saber o que me provocava essa sensação.
Agora, aqui contigo , apercebo-me de que mesmo estando alheada e absorta noutras coisas, tu estiveste sempre ao meu lado. Como pude ser tão cega?
Neste momento, sinto-me livre e feliz por te ver brincar de novo com uma madeixa de cabelo que teima em fugir do seu lugar. Fico-te grata por não me teres abandonado. A ti Vida, faço um brinde e convido-te para uma valsa.
Olho-te de frente e sorrio para ti.
- Vamos dançar?