28/07/09

Fachada


Agrilhoaste-me
Com falsas palavras de carinho
Que proferias como quem atira migalhas ao chão
Atraíste
Toda a devoção que se pode desejar
E brincaste com o meu coração
Ousaste
Atear uma chama bem viva
Dentro da minha alma carente
Impediste
Que a distância que nos separa
Se tornasse numa felicidade resistente
Usaste
A minha alma e corpo ainda encerradas em ti
Que choram com a mesma exuberância com que te amo
Rogando que esta falsa clausura tenha fim
Proferiste
Durante anos aforismos desaforados
Sempre que nos quezilámos
Então prostro-me
E desfaleço sufocada
Por este romance de fachada

Que teima em manter-se na minha vida só para dizer que se “tem”.


Maria Escritos - 28/07/2009

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