28/07/09

Eco do pensamento


As gotas pesadas substituem o toque suave dos raios brilhantes tornando o meu semblante mais cinzento e carregado..... Atiram-se com toda a força contra as vidraças das minhas vistas. Sopram furiosas, mais velozes que o próprio vento e atiçam lembranças de um ensejo projectado no mar. São geladas e portadoras de uma ira veemente, opondo-se ao calor suave que procede de ti.
Viesses tu, desejo meu, com toda esta pujança atirar-me assim para uma quimera. Sentisse eu o toque perfumado do teu sopro sobre o meu espírito... e me desses vida.
Sustenho o teu lugar vazio quando entrevejo no horizonte do mar a sombra cinzenta da tua feição. E então fecho os olhos. Ah, como eu queria, que me envergasses com as tuas cores e me cobrisses com o teu manto caloroso. Deixar-me-ia fundir … até resplandecer tanto como tu…
Vigia o meu carpido e vem até mim mais uma vez para me confiares o teu segredo. Imploro que voltes ao teu lugar e não me enjeites nesta eminência de onde te chamo com gritos surdos que se repetem nas dunas.
- Ó luz da minha vida, não me abandones outra vez.


Maria Escritos

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