16/10/09

Esta noite, aborvo-me em mim


Esta noite eu não vou deixar morrer em mim a saudade cravada nos dias sorridentes dum passado, nem vou permitir que a distância do diálogo e a confusão da solidão apague o sorriso que há em mim. Esta noite, desabarei palavras sobre o papel para não matar a lembrança das alegrias sonhadas num eco surdo atordoante. E sorrindo ou chorando, escreverei a nostalgia dos sonhos vividos, com a alma, na esperança da sorte se abater sobre mim. Imprimirei o júbilo com que os nossos caminhos se cruzaram, esquecerei as mágoas das feridas abertas e esculpidas em mim. Procurarei a senda da aventura em cada linha escrita, descrita com as talhas da melancolia no dia-a-dia passado. Esta noite, não vou esquecer que, sôfrega, sorvo do amor, nem a feição onde talhei este amor. Não voltarei as costas á fonte que me dá vida e me sustem erguida. Esta noite, construirei um sonho, baseado em palavras ansiosas por partirem e pela noite dentro me acharem. Devorarei cada detalhe do olhar dependurado na tristeza, olhando lá ao longe o vazio da ilusão criada. Esta noite, sentirei o fardo apetecível e voluptuoso do amor.
Esta noite não termina assim, porque eu preciso dizer que te amo, e gritar bem alto para todo o mundo ouvir com que traço se reveste o meu amor…

Esta noite … a minha narrativa começa assim! Esta noite, absorvo-me em mim



Pintura de MANU GRAÇA
Texto de Maria Escritos

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