13/09/09

Uma mensagem de amor


Meu amor,

Sei que hoje estamos magoados um com o outro. Existem mágoas de feridas abertas não saradas, que ficaram acumuladas com o passar do tempo…esse tempo tão precioso para ti, para não te permitires a partilha-lo comigo senão em breves minutos ou instantes do dia Esse tempo que pediste para organizar as tuas coisas, a tua vida, para me acolheres no seio dela… mas o tempo passou e, voltou a passar e nós não passamos à fase seguinte.

Dei-te tempo e amor, recebi distância e vazio. Tentei estar ao teu lado e nunca te abriste comigo, senão em pequenas frases que deixaste escapar desapercebido. Tentei conversar contigo e sempre acabámos discutindo por pequenos nadas que se transformaram num grande tudo. E nesse tudo, de dor, temos vindo a viver.

Dizes que me amas, mas nunca, em pequenos gestos ou atitudes o demonstraste e eu chorei, choro e vou chorar, por te dar tanto de mim. O tempo que te dei não serviu para nada a não ser para me manteres prisioneira nas tuas promessas de amor e de esforço para superarmos as nossas dificuldades. O tempo que te dei serviu para aumentar o meu vazio e o sentimento de me quereres afastada da tua vida. O tempo que te dei serviu para envelhecer a minha alma e modificar a minha alegria. O tempo que te dei obrigou-me a viver em sonhos, repletos de paixão, e tão bem carregados de amor… o nosso amor! Mas não passaram disso, de sonhos sonhados com o meu coração. E esse mesmo tempo, que tu tanto pediste, encarregou-se de trazer as tempestades que apagaram as névoas desses sonhos, esfumando-os no passado.

Houve um dia em que te disse que já não sei se te amo, mas hoje digo-te que te amo com todas as forças do meu ser. A minha Alma chora porque sempre me mantiveste á distância na tua vida, o meu coração desatinado grita bem alto por ti, e a minha razão já não conhece nenhum outro raciocínio lógico a não ser este amor a que me entreguei profundamente.

Quero-te, como quem que agua para matar a sede ou como quem procura alimento para matar a fome mas eu não posso viver assim! Então refaço a minha vida, escrevendo a minha dor e estas cartas tolas de amor. Mas não seriam tolas, se não fosse puro, o amor.

Se um dia vires lá bem longe, no alto do céu, uma estrela sozinha essa serei eu a guiar-te pelos trilhos da vida e a aquecer o teu coração. Ao longe, dei-te o meu tempo, e lá longe, dar-te-ei a minha luz.


Com todo o meu amor,







Maria Escritos

4 comentários:

  1. O Amor... as ilusões e desilusões de quem ama e não esquece.
    Linda carta.
    Bj

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  2. Eu diria antes que o amor, quando correspondido, nada tem de "tolo"...apenas no caso contrário os suspiros sôfregos se perdem no ar como uma vaga que vai e não encontra onde embater...logo, se desfaz serenamente e dilui no imenso mar...(Muito sentido, como sempre, querida AMIGA!) <3

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  3. Quase me correm as lágrimas, quando leio os seus poemas, outros textos e, sobretudo, esta carta .
    Haverá ao cimo da terra algum homem que mereça tanto amor ?
    Fique bem
    Um abraço

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  4. Nocturna,
    em resposta a sua pergunta, poderei apenas dizer-lhe, citando Fernando Pessoa, que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

    A minha alma não será tão grande assim, mas o meu amor ainda bate forte cá dentro...

    Beijo fofo para si.
    Obrigada pelas suas visitas

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