30/09/09

Dual-Idade





Desde que me apercebi que existo, tudo na minha vida tem sido sentido com o coração e a Alma. Os meus textos publicados aqui apenas deixam transparecer, (penso), um pouco dos meus estados de Alma, e o turbilhão de emoções que há em mim.
Há músicas que mexem comigo e me transportam a um mundo de beleza inigualável, assim como há outras que nada me dizem.
Há livros que leio sofregamente pela adrenalina que fazem correr nas minhas veias, tal como há outros que só de olhar eu deixo de lado.
Há situações na vida que me fazem voar, assim como existem outras que me atiram ao chão.
Dei conta, demasiado tarde, que na minha vida tudo se move pelas emoções, e talvez tenha desperdiçado alguns anos da minha passagem por aqui, pela falta de conhecimento; pelo menos de conhecimento base.
Hoje reconheço que andava em conflito comigo pela “dual-idade” que há em mim.
Sou uma Alma velha num corpo ainda jovem. Sou portadora de uma sabedoria da qual ainda não tenho consciência absoluta. Através de sinais externos, há pequenas reminiscências que me assolam a mente e fazem-me entender o porquê de eu sempre ter achado que nasci na época errada. Mas nada existe ao acaso, não há coincidências e o Divino escreve sempre certo por linhas travessas. Já vou conseguindo entender que em mim, a minha Anima esta cada vez mais presente, e sua base é uma lei Maior onde impera a boa vontade e a simples aceitação da minha existência nesta vida, com todas as reticências, pontos de exclamação, virgulas e acentos, que isso implica.
Através da escrita vejo para além de mim, e transmito por palavras as ondas dos sentimentos que me regem. Asseguro-me de os passar a todos, sem excepção, sejam os bons ou os menos bons; em suma, positivos ou negativos. Em todos os meus escritos procuro partilhar algo. Nos contos de seres de sonhos e princesas encantadas partilho um pouco da felicidade que me é dada. Nos sentimentos negativos procurem ver as minhas falhas, tal como eu, pois escrevê-las e publicá-las é uma forma de assumir os meus erros e a minha simples condição humana. É uma forma de auto-descoberta de toda a existência e sabedoria da minha Alma, essa caminhante que já percorreu muitos tempos.
Deixem o corpo estatelar-se no chão para o ver erguer de novo, contudo reparem bem onde eu escorrego e me estampo e evitem pisar o mesmo caminho. Permitam que a minha Anima floresça cada vez que cai, mas não sigam as minhas pegadas desnorteadas.
Eu sou um ser e sou também um não-ser; sou um ser que caminha em direcção á Luz, e sou um não-ser albergado em mim habitando na minha sombra.
Sou a alegria e sou a tristeza, sou a felicidade e sou a infelicidade, sou o sucesso e o fracasso, sou a dor e o Amor… chamo-me : VIDA!
Por favor, deixem-me passar.


Maria Escritos

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