13/08/09

Como dizer adeus...ao adeus


È complicado escrever sobre o que sinto quando eu própria já nem sei o que sinto. È difícil descrever o adeus de uma despedida inesperada. Demasiado complicado para escrever sobre este adeus. Apenas um ponto de partida, uma nova viragem que segue na direcção do vento que sopra para uma morada incerta. Como dizer adeus ao que nunca se teve? Como partir em demanda do sonho por realizar se esse sonho se definha com o vento? Como sorrir ao adeus e abraçar nova expectativa quando os sonhos e as emoções rodopiam agitadas dentro do meu ser.
Como enfrentar o abismo do desassossego com o beijo gravado nos lábios ainda molhados, do beijo que não tive, e que em vão procurei. Como não sentir a falta de mim mesma neste adeus inevitável do meu Ser, que abraçou o frio da noite tomando como companhia longos lamentos sentindo a tua respiração no meu peito. Como descrever o adeus, quando em fantasia eu te respiro, e cada poro da minha pele precisa do teu toque. Como descrever por palavras, o quanto eu julguei amar, se nunca conseguiste ver o mundo de cores alegres e berrantes que brilham e alimentaram este amor que é só meu. Tu, que carregas o novo amanhã, és o guardião do futuro e, nos teus traços referes promessas do regresso ao beijo sôfrego por ti concebido. Como dizer adeus ao amor e sorrir de novo ao amor? Como abraçar o adeus deixando o adeus para trás extinto na própria despedida quando este adeus é um laço de ternura?
Como não te dizer adeus e esperar no seu lugar uma nova aurora, que traga um raio de sol sobre o teu olhar…

Rasgam-se os olhos com as lágrimas, ardem os dedos com que te toquei, engasgo a dor na garganta e, pergunto-me se algum dia amei. E então porque dizer adeus?
Dir-te-ei apenas que como Ser que és, deixo-te simplesmente aquele beijo tão esperado que se vai perder no sopro … e que o destino carregará de volta …se o receberes…

Tão somente, eu

Maria Escritos