04/11/09

Orgulho e preconceito (na 1ª pessoa)



Há poucos anos tentei suicidar-me. Foram tempos críticos e impetuosos os que vivi. Carreguei um oceano enfurecido dentro de mim; a minha razão lutava contra as minhas emoções que enraivecidas se atiravam contra as paredes do meu cérebro e me faziam entontecer, mais parecendo uma vaga a desconchavar-se nas rochas.
Há alguns anos atrás eu estava adormecida e ia perdendo a minha razão!

Recordo-me de ter acordado e de ser esmagada com a realidade; da aflição lembrada de poder ter perdido a minha filha. Recordo-me da minha vergonha perante os meus actos, e, do sentimento de culpa que carreguei agrilhoado no meu coração, tal véu que não me permitia descontrair.

Muitos foram os que se afastaram de mim chamando-me de louca, e, tantos outros foram os que me pré-conceituaram.

O terror de perder a minha filha, caso eu procurasse ajuda profissional, impediu-me de procurar o médico para me curar da minha depressão, do meu esgotamento. E ao invés disso, recolhi-me aos meus sentidos, absorvi-me na minha escuridão, e remexi nas minhas feridas.
Li tudo o que encontrei sobre os estados da Alma. Estudei imenso sobre “esta” matéria e então tomei a decisão de vomitar tudo, transcrevendo para o papel todas as razões que originaram os meus actos.

Foram tantas as páginas que escrevi que só ao fim de seis meses consegui terminar a minha catarse, que apelidei de “o meu livro”. E quando terminei senti que estava livre e a minha essência tornou-se leve.

Este meu livro que tanto me fez chorar, assim como a quem o leu, foi outrora a minha vergonha e culpa pelos erros cometidos e ali escarrapachados.

Hoje, completamente restabelecida, (embora alguns achem que não), aponto esse meu livro como um ponto de referência importantíssimo na minha vida.
Quatro anos volvidos eis-me aqui erguida perante vós, cheia de força e garra pela vida a falar abertamente sobre preconceito – o meu preconceito.

Quatro anos depois de jorrar “o meu livro” falo dele com carinho, pois foi ele que me catapultou para o lugar onde estou hoje. Exactamente por ter vomitado o meu preconceito eu não quero voltar a agir igual.

Hoje, sei onde estou e também sei quem sou. Hoje estou despertada.
Sou um ser humano cheio de virtudes e defeitos tal como todos os outros. Só que agora aprendi que não me importam as opiniões alheias. Não podem ditar a minha vida; ninguém pode corromper a minha mente, porque eu sou apenas eu e mais ninguém. Assumo a minha condição na sua totalidade.

E é com orgulho que o afirmo.


Maria Escritos

2 comentários:

  1. amiguita ,então esta foi mais uma recaida que tiveste,bem que depois deste susto não tentes de novo acabar com a tua preciosa vida,tenta esquecer esses sustos e essas feridas do passado,é passado já foi.Se fores a um psicólogo ele além dos teus amigos,podem ajudar-te a apagar essas coisas da tua mente.
    E que agora apenas comeces a lembrar e a deixar entrar as coisas boas da vida.Não és louca nada,e deves ter muitos sonhos que ainda hás-de realizar e agora tens amigos que não se hão-de afastar de ti.
    Sabes é com os erros que se aprende.bjs

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  2. que poderei dizer de palavras tao verdadeiras...
    so é pena que eu ainda nao pense como tu.
    jesteves77@hotmail.com
    bj

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