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26/01/10

Espero por ti


Espero por ti
No infinito iluminado
Pela lua e pelas estrelas
Espero por ti
À noite, à beira-mar
Com as ondas, tontas
O teu nome a invocar.

Espero por ti
Enquanto avisto a Lua
E nela me reflicto, assim, nua
Espero por ti
Vislumbrando os salpicos das estrelas
Que se atiram à água
E teimam em beijar o mar

Espero por ti
Quando a noite cai
Fria e escura
E neste espera longa
Desespero, fico louca
Sonhando enrolar-me a ti
Como as ondas fazem no mar.

Espero por ti
No meio dos meus sonhos
Construindo fantasias
Enquanto a Lua e as estrelas
Brincando e reluzindo
Me convidam a sonhar
E só o teu nome nasce no ar

Espero por ti
Absorta nos meus sentidos
Enfeitada com espuma das ondas
Deitada num manto de estrelas
Desejosa, reflectida no luar
Por ti a bramar
Enquanto puder sonhar!

Espero por ti
Deitada ao luar…



Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

24/01/10

Tu



Teu odor embriagante
Razão do meu desejo perturbante
Percorre-me em arrepios
Suores frios
Um aroma fulgurante

O gosto da tua pele
Arranca as feromonas da paixão
Este sentido enfurecido
Prazer reprimido
De liberdade e vastidão

Teu beijo no meu corpo fremente
Doces lábios que roçam lentamente
O arder da minha pele
Teu corpo que brada por mim
A respiração em frenesim

Possui-me lentamente
Saciando meu desejo ardente
Tropeça na minha pele
Emboca dentro de mim
Traça um agora sem fim



Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

22/01/10

Leva-me



Leva-me contigo
Envolta na luz branca do luar
Faz de mim a tua musa,
Essa inspiração celestial

Leva-me contigo
Agarrada ao teu olhar
Faz de mim uma chama
Nos teus olhos a cintilar

Leva-me contigo
Abraçada ao teu calor
Derrete os meus sentidos
E sorve do meu amor

Leva-me contigo
Palmilhando ruas desertas
Aspirando um único aroma
Da felicidade que em mim despertas

Leva-me contigo
Porque o teu mundo é o meu lugar
O teu corpo é o meu templo
E só a ti me quero entregar

Leva-me contigo
Que este lugar não é meu
Cala as minhas súplicas
Apenas com um beijo teu


Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

21/01/10

Faltas-me tu



Tenho tanto, que diria ter tudo
Tenho amigos, tenho amores
Tenho a bênção da vida
E até o sangue que escorre da ferida.
Tenho o abraço da gente que me envolve
Com um beijo e um sorriso
Dão-me um ombro, dão-me a mão
Palavras quentes, sem sermão.
Mas tudo que eu quero
E tudo que eu preciso
È a louca da sorte
Que está á minha frente
E se cola na minha pele, bem rente.
Sinto o fundo do mar vazio
Precisando da chuva
E das correntes do rio
Regando esta semente
Levando-a Mar adentro
Correndo lenta num fio.
Vivo num mundo
Que simplesmente flutua
Onde as rochas são pedra
E a areia é poeira
As flores, são meros espinhos
Que adornam a rua onde caminho.
Sem aromas coloridos
Sem os teus beijos sentidos
Sem tuas carícias em meu corpo
Sem tua respiração em meu rosto
Sem teu rosto nas minhas mãos
Trilho as pedras da minha vereda
Consumida por esta labareda
Que me faz sentir totalmente só!


Maria Escritos - 2010
© Todos os direitos reservados

20/01/10

Na outra margem do meu silêncio


Na minha Alma recta, vergo
O espesso manto do silêncio
Venço o tempo que nos separa
Reconheço-te sem ver tuas feições

Exalo o grito abafado, amordaçado
Na minha boca ressequida de saudade
Reganho o cântico perdido na voz
Planto sonhos e fantasias

Entre sorrisos reflectidos, no olhar
De um mundo insuspeito e ardoroso
Compartilho o sentimento
Onde o amor volta a desabrochar

Por fim, grito de exultação
Vencida que foi a espera
Senhor de todas as razões
Rei das minhas ilusões

Mundo a preto e branco
Agora aberto em arco-íris
Deixa-me gemidos atravessados
A adornar a face nos cânticos ao mar

Canta o silêncio dentro de mim
Eco do meu coração, desenfreado
Afundo em vales de brandura
Na outra margem do meu silêncio


Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

15/01/10

Quero o cheiro das rosas


Hoje, não quero falar de amor
Quero carícias sussurradas
Por entre os lençóis
Quero morder tua orelha
E beijar teu pescoço
Quero agarrar-me ao teu dorso
E puxar-te para mim.

Hoje, quero virar fera
Quero sentir tua língua
Entranhando na minha boca
O doce grado do teu beijo
Quero que sorvas do meu peito
E me arranques com jeito
Um grito deliciado de prazer

Hoje não quero falar do amanhã
Quero sentir-te no madrugar
E guardar bem a lembrança
Quero sentir os corpos embrenhados
Num abismo culminante
Hoje, quero o cheiro das rosas
Gravado num sorriso de alegria



Maria Escritos - 2010
© Todos os direitos reservados

12/01/10

Outra margem de mim


E é nesta dormência demente
Que me assola o corpo inteiro,
Que estremeço e enlouqueço
Sentindo falta do teu toque
No espaço vazio
Deixado na minha pele.

Despojada assim do meu pensar
Vagueando à deriva
Nesta vasta imensidão
Ensandeço, atordoada
Ansiando avidamente
Pelo calor do teu olhar
Pousado suavemente em mim.

Grito em silêncio o teu nome
E tudo que escuto
É o eco emudecido
Desta demente dormência
Que me deixa adormecida,
Morando perpetuadamente
Neste êxtase sonhado,
Aguardando o teu corpo no meu
Extinguindo este defeito
De ter feito de ti
A nascente que me suporta
E me transporta
À outra margem de mim.



Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

Soberano e meu senhor


Deixaste-me ver a tua alma
Para me mostrastes o verdadeiro amor.
Deste-me uma nova razão para existir
Quando através dos teus olhos
Me mostraste que um amor como o nosso
É bem mais forte do que qualquer lei.
Um olhar teu é suficiente para iluminar o meu dia,
Tal a intensidade do nosso amor.
Na tua alma descobri uma nova forma de ver
O baloiçar das folhas das árvores
Que seguem ao ritmo da música
Que trago no coração;
O sol brilha mais forte com mais intensidade;
A terra acabada de regar
Tem um cheiro doce,
Mais doce do que me recordo
E as nuvens brancas em contraste com o azul do céu
Assemelham-se a montinhos de algodão doce
Que apetece morder.
Solta-se o riso desenfreado da minha boca
Seguindo o ritmo da melodia que ecoa em mim
Rendo-me deslumbrada à névoa que me entretém

Desprende-se no ar um perfume sublime

Onde este amor é soberano e meu senhor!

O Mundo é tão bonito e eu nunca tinha reparado…


Maria Escritos – 2010
© Todos os direitos reservados

06/01/10

Brotar de uma paixão


Hoje acordei com vontade de ti
Queria saciar a minha sede na tua fonte de mel
E espalhar no meu corpo o calor das tuas carícias

Hoje acordei com vontade de te ter ao meu lado
Num sono leve de criança enroscado no meu corpo
Num abraço apertado unindo o nosso peito

Hoje acordei com vontade do momento
Que se tornou eterno sem tempo para acabar
E nos entregarmos ali num beijo apaixonado

Hoje acordei com vontade de fechar os olhos
Para sentir o teu olhar no meu sorriso de paz
Alargando o meu prazer à vontade de todas as manhãs

Hoje acordei com vontade de te amar
Nessa insanidade possuir teu corpo e amar-te de verdade
Apaziguar o fogo do desejo que me cobre e me invade

Hoje acordei com vontade de ter o que não posso ter
Só a tua ausência vem para me responder
Demência estranha dos meus sonhos sensuais que em mim jazem tão reais.



Maria Escritos - 2010
© Todos os direitos reservados

16/12/09

Maria Escritos no Estudio Raposa - Programa 44


Luís Gaspar resolveu criar um audioblog, em que conta, de viva voz, algumas das mais conhecidas histórias. Dos Contos Tradicionais (reunidos por Teófilo Braga) ao Romance da Raposa (de Aquilino Ribeiro), passando por Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade ou a narrativa da Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. Neste blog há ainda espaço para novos autores, incluindo aqueles que ainda não chegaram às estrelas.
No Estudio Raposa, Luis Gaspar arranca as palavras do papel e verbaliza-as, soprando-lhes vida nova, fazendo-as flutuar em sonoras centelhas de luz. Recitar realiza, quebrando o silêncio, aquilo que o silêncio pretende e não consegue.

http://www.estudioraposa.com/index.php/16/12/2009/poesia-44-maria-escritos/


Ouse ouvir a voz de Luis Gaspar com poesia de Maria Escritos

01/12/09

Instintos


Deixa-me sentir-te
No desnudar da madrugada
Com murmúrios em meu rosto
Por entre raios de sol
Roçando leve na minha pele

Deixa-me sentir-te
Num serpentear enfurecido
Das ondas desfalecendo à beira-mar
Entre pingos de espuma
Abraçados a meus pés

Deixa-me sentir-te
Nas gotas perfeitas de chuva
E no cheiro da terra acabada de regar
Desabrochando as pétalas
De sensíveis labirintos

Deixa-me sentir-te
Na magia que a noite conhece
Carregada de fascinantes instintos
Na voz turva e abafada
Do ofegar da respiração

Deixa-me sentir-te
Gravar meu corpo com suor teu
Semeando carícias em meu ventre
Como gotas de orvalho
Caindo no rosto pela manhã




Maria Escritos
© Todos os direitos reservados

28/11/09

Suspiro gotas


Suspiro gotas
Entre sedas e cetim
Num bailado de cadencias distantes
Dos desejos incontidos

Suspiro gotas
Entre o roçar da pele
Sob o incenso vaporoso
Da sedução do amor

Suspiro gotas
Na dança de corpos desnudados
Entre a chama sibilante
Do aroma que paira no ar

Arrepios saem
Num ápice entre gemidos
Da inconsistência bruta
Dessa ânsia que assenta em mim

Suspiro gotas
Gemidos saem
Estremecimentos expelidos
Numa dança sem fim


Maria Escritos
Todos os direitos reservados

27/11/09

Guardo


Guardo-te sobre os dedos
No parar do tempo
Na calma com que toco a pele hoje despida

Guardo-te no olhar
Como a luz das manhãs
E a força dos dias inventados por ti

Guardo-te no instante em que me calo
E não escuto o teu silêncio
Murmurado ao meu ouvido

Guardo-te nas rugas do nosso leito
Nas ondas sedentas
Das torrentes rubras de paixão

Guardo-te nos acordes sublimes
Das notas produzidas no corpo
E das suaves melodias geradas em mim

Guardo-te na saudade ressaltada
E no suspiro dos dias de repouso
Que acarinham o vazio deixado por ti

Guardo-te no travo da minha boca
Num sabor doce que me desperta
A vontade louca de te amar


Maria escritos
Todos os Direitos Reservados

Toca-me


Toca-me!
Toca meu corpo,
Instrumento que espera
Pelo suave toque dos teus acordes

Toca-me!
Toca meu corpo,
Violino teu no timbre exacto
Suspirando notas em perfeita harmonia

Toca-me!
Toca meu corpo,
Conduz teu corpo sobre o meu
Que vibra à espera do primeiro tom

Toca-me!
Toca meu corpo,
Arranca de mim as mais belas notas
Para entoar segregadas aos teus ouvidos

Toca-me!
Toca meu corpo,
E cala a minha boca com um beijo teu
Acolhe meu corpo que tua boca recebeu

Maria Escritos
Todos os Direitos Reservados

17/11/09

Sorriso



Quero um sorriso
Coberto de orvalho fresco da manhã
E um breve aroma adocicado saltando no ar

Quero um sorriso
Com olhar calado, admirando atentamente
A cumplicidade, muda, enfeitando as alvoradas

Quero um sorriso
Numa breve alegria suspirada ao ouvido
Como uma melodia versando no infinito

Quero um sorriso
Num esgar amplo e sincero
Assim sem mais nem porquê.

Quero um sorriso
Num rosto amigo, destemido e ousado
Que se invente com o meu


Maria Escritos

09/11/09

As minhas ultimas palavras

“Há um olhar suspenso na chama tremeluzente da escuridão do quarto, que trespassa o silêncio cerrado parado no ar. Voltam as lembranças dos problemas por resolver. E tantos que eles são. Sinto-me cansada e derrotada. A insatisfação ocupa agora a minha essência, que, pesadíssima luta para se arrastar e fugir. A minha cabeça anda ás voltas e o corpo batalha para se mater erguido. Custa-me raciocinar, todos os meus pensamentos se inclinam para o mesmo lado. Será talvez o fardo que agrilhoado a mim pende sempre para esse mesmo lado.
Eu quis ser livre, ser leve, quis ter um arco-íris presente e constante, mas as sombras teimam em tirar-me os sonhos que consigo construir. Deus deu-me um anjo, e nem a esse anjo eu consigo fazer feliz. Há um buraco negro esculpido no meu ser, uma mancha talhada com mestria pela mão de quem me deu a vida. Não aguento mais este peso que me sufoca, nem este ar que respiro e me queima as entranhas. Não aguento o bater deste coração que quase me perfura o peito, em constante sobressalto.
Não aguento ter de dizer “não” tantas vezes, nem consigo olhar nos olhos da minha filha e dizer que não lhe posso dar isto ou aquilo, por causa de outro alguém.
Estou cansada da família, estou cansada do trabalho, estou cansada da vida e estou farta de tudo. Já não consigo sofrer mais nem fazer sofrer por minha causa Já não posso com o mundo às costas. Sou um nada e um nada serei. Sou uma cobarde e uma cobarde serei. Sou uma fraca e uma fraca serei. Hoje já não sou nada, e tudo de nada serei.

Deixo algumas palavras escritas dirigidas a algumas pessoas:
À minha princesa, peço-lhe que me perdoe, mas eu não consigo olhar mais a carinha dela e ver as lágrimas a escorrer pela cara abaixo de todas as vezes que não consegui estar á altura das suas necessidades.
À minha mãe, agradeço por matar os filhos em vida.
Ao meu pai, peço-lhe que cuide da minha filha.
Ao meu amor, peço-lhe que acenda uma vela por mim que me ilumine o caminho do céu.

Faz-se luz nos mistérios que jazem latentes na força que se conserva escondida e albergada no meu Ser. Eu não já consigo andar aqui pois a luz enfraquece com o ataque das sombras que habitam em mim.


Paula Moreira / Maria Escritos

05/11/09

Ternura dos 70


Dispersa num olhar amadurecido
Vai contra o tempo que lhe escapa
Num sopro envelhecido
Manchando a cabeleira branca.

Escuta as vozes do vagar
Que ao ouvido, sussurrando baixinho
Relembram que no marchar
Fica muito de seu pelo caminho.

Venham alegrias e tristezas
Galardoadas com valentia
Não te ceifa a brancura das madeixas,
escuras, como foram um dia.

Envolves ainda num abraço
Com a audácia de antes
E repartes do teu regaço
Sorrisos estonteantes.


Maria Escritos

04/11/09

Orgulho e preconceito (na 1ª pessoa)



Há poucos anos tentei suicidar-me. Foram tempos críticos e impetuosos os que vivi. Carreguei um oceano enfurecido dentro de mim; a minha razão lutava contra as minhas emoções que enraivecidas se atiravam contra as paredes do meu cérebro e me faziam entontecer, mais parecendo uma vaga a desconchavar-se nas rochas.
Há alguns anos atrás eu estava adormecida e ia perdendo a minha razão!

Recordo-me de ter acordado e de ser esmagada com a realidade; da aflição lembrada de poder ter perdido a minha filha. Recordo-me da minha vergonha perante os meus actos, e, do sentimento de culpa que carreguei agrilhoado no meu coração, tal véu que não me permitia descontrair.

Muitos foram os que se afastaram de mim chamando-me de louca, e, tantos outros foram os que me pré-conceituaram.

O terror de perder a minha filha, caso eu procurasse ajuda profissional, impediu-me de procurar o médico para me curar da minha depressão, do meu esgotamento. E ao invés disso, recolhi-me aos meus sentidos, absorvi-me na minha escuridão, e remexi nas minhas feridas.
Li tudo o que encontrei sobre os estados da Alma. Estudei imenso sobre “esta” matéria e então tomei a decisão de vomitar tudo, transcrevendo para o papel todas as razões que originaram os meus actos.

Foram tantas as páginas que escrevi que só ao fim de seis meses consegui terminar a minha catarse, que apelidei de “o meu livro”. E quando terminei senti que estava livre e a minha essência tornou-se leve.

Este meu livro que tanto me fez chorar, assim como a quem o leu, foi outrora a minha vergonha e culpa pelos erros cometidos e ali escarrapachados.

Hoje, completamente restabelecida, (embora alguns achem que não), aponto esse meu livro como um ponto de referência importantíssimo na minha vida.
Quatro anos volvidos eis-me aqui erguida perante vós, cheia de força e garra pela vida a falar abertamente sobre preconceito – o meu preconceito.

Quatro anos depois de jorrar “o meu livro” falo dele com carinho, pois foi ele que me catapultou para o lugar onde estou hoje. Exactamente por ter vomitado o meu preconceito eu não quero voltar a agir igual.

Hoje, sei onde estou e também sei quem sou. Hoje estou despertada.
Sou um ser humano cheio de virtudes e defeitos tal como todos os outros. Só que agora aprendi que não me importam as opiniões alheias. Não podem ditar a minha vida; ninguém pode corromper a minha mente, porque eu sou apenas eu e mais ninguém. Assumo a minha condição na sua totalidade.

E é com orgulho que o afirmo.


Maria Escritos

Antes de ti


Antes de amar-te, amor
Não havia nada,
Era apenas uma insignificância
Tropeçando nesta estrada.

Mas algo se alisou com as palavras
Iluminou-se com a tua figura.
Deste-me asas e floriste-me
Envolvendo-me em laços de ternura.

Ao meu lado jaz, uma luz constante
Brilhando sempre, sem parar,
È a chama do meu coração
Que despertou para te amar


Maria Escritos